Baltazar Gomes Figueira, formado em Sevilha, a propósito da ‘nature morte au poisson’ (1645). Grada 117. A fronteira

Francisco Bilou

Baltazar Gomes Figueira, nascido à volta de 1604, em Óbidos, acaso natural do vizinho casal da Figueira de onde, por hipótese, seu pai recebera o apelido, aprendeu o ofício de pintor em Sevilha, entre os anos de 1626 a 1635, na órbita da escola do naturalismo sevilhano onde pontuavam Francisco Pacheco, Juan de Castillo e Francisco de Herrera, ‘el Viejo’, este último, padrinho de baptismo da primeira filha do pintor português, Josefa de Ayala, nascida em Sevilha, em 1630.

Regressado a Portugal em 1635, encontra-se precisamente nesse ano em Peniche, talvez nas casas de seu pai, onde se documenta com sua esposa D. Catarina de Camacho no baptismo da terceira filha do casal, de nome Bazília (a 24 de Junho de 1635); nesta vila assina a sua primeira obra em território português, o Calvário da igreja da Misericórdia.

De novo restabelecido na sua Óbidos natal, pinta paisagens, imagens sacras e ‘bodegones’, tudo dentro de uma pintura de clara ressonância andaluza. Baltazar seria, aliás, conhecido como pintor “celebrado nos países, principalmente os pertos deles”, encómio artístico devido aos seus fundos de paisagem, pintados com grande naturalismo.

Acompanhando a Coimbra a sua filha Josefa (de Óbidos), para aí iniciar como “mulher emancipada de seus pais” uma carreira artística autónoma, é bem provável que seja nesta cidade que Baltazar Gomes Figueira pinta, nos primeiros meses de 1645 (do que se deduz da presença das laranjas ainda nos ramos e das cebolas já velhas), a magnífica ‘nature morte au poisson’, hoje no Museu do Louvre e durante muito tempo a única obra de um pintor português na colecção do célebre museu parisiense.

A pintura, óleo sobre tela de pequenas dimensões (54×75 cm), dada a conhecer em 1986 pelo historiar de arte e conservador dos museus do Louvre e Metropolitan de Nova Iorque, Charles Sterling, é uma das obras-primas do pintor português no género ‘bodegón’. É um típico tema de Inverno, de cinzas metálicos, frios, onde vibram os tons quentes das laranjas e mariscos (cozinhados), e onde não faltam alusões simbólicas: os frutos da terra e do mar; a natureza morta que teima a renascer (atenda-se ao pormenor do rebento da cebola); o contraste alegórico entre o vigor cromático do que é novo (laranjas) e os rosas pálidos do que velho (as cebolas); os detalhes numéricos (5 laranjas, 5 cebolas…), enfim, o pequeno ramo de salsa, insignificante na composição mas suficiente poderoso para nos remeter para o universo culinário…

Das circunstâncias históricas de ida desta pintura para França, nada se sabe. Uma das possibilidades mais credíveis aponta para que possa ser oferta do rei D. João IV a um dos primeiros embaixadores franceses ao Portugal restaurado. Desde logo o marquês de Rouillac, ou até o cônsul da nação francesa João de Saint Pé. Recorde-se que Baltazar Gomes de Figueira serviu na corte portuguesa como “oficial do Estado brigantino” e decerto foi responsável por programas decorativos da Casa Real, facto que pode indiciar proximidade ao círculo cortesão de D. João IV.

Baltazar Gomes Figueira morreu em Óbidos, em 1674, onde foi a enterrar na igreja de São Pedro na condição de “irmão de primeira condição” da Misericórdia daquela vila.

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