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	<title>José Parraça - Revista Grada</title>
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	<description>Noticias de Actualidad sobre Cultura, Ocio, Deporte e Integración en Extremadura</description>
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	<title>José Parraça - Revista Grada</title>
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		<title>Quando a ginástica acrobática inclui todos. Mais do que um campeonato, uma lição de humanidade</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Redacción]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 15 May 2026 03:24:28 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[José Parraça]]></category>
		<category><![CDATA[Primera Fila]]></category>
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										<content:encoded><![CDATA[<img fetchpriority="high" decoding="async" width="1544" height="955" src="https://www.grada.es/wp-content/uploads/2026/05/32_211_primerafila_gimnasia1.jpg" class="attachment-full size-full wp-post-image" alt="Quando a ginástica acrobática inclui todos. Mais do que um campeonato, uma lição de humanidade" style="float:right; margin:0 0 10px 10px;" srcset="https://www.grada.es/wp-content/uploads/2026/05/32_211_primerafila_gimnasia1.jpg 1544w, https://www.grada.es/wp-content/uploads/2026/05/32_211_primerafila_gimnasia1-300x186.jpg 300w, https://www.grada.es/wp-content/uploads/2026/05/32_211_primerafila_gimnasia1-1024x633.jpg 1024w, https://www.grada.es/wp-content/uploads/2026/05/32_211_primerafila_gimnasia1-768x475.jpg 768w, https://www.grada.es/wp-content/uploads/2026/05/32_211_primerafila_gimnasia1-1536x950.jpg 1536w, https://www.grada.es/wp-content/uploads/2026/05/32_211_primerafila_gimnasia1-600x371.jpg 600w, https://www.grada.es/wp-content/uploads/2026/05/32_211_primerafila_gimnasia1-264x163-264x163.jpg 264w" sizes="(max-width: 1544px) 100vw, 1544px" /><p>Num mesmo praticável, corpos diferentes desenham movimentos semelhantes. Uns com limitações visíveis, outros sem elas. Mas naquele momento, não há diferença, há apenas confiança, ritmo e uma linguagem comum: a ginástica.</p>
<p>A ginástica acrobática é, por natureza, uma modalidade de interdependência. Não há execução sem confiança, não há equilíbrio sem o outro. Bases e volantes constroem, em conjunto, uma coreografia onde a força, a coordenação e a precisão técnica se fundem com uma dimensão relacional profunda. No entanto, quando a esta lógica se junta a acrobática adaptada, o que está em jogo ultrapassa claramente o domínio do desempenho desportivo. A acrobática adaptada surge como uma expressão concreta de inclusão no desporto, integrando atletas com diferentes tipos de deficiência (motora, intelectual ou sensorial) muitas vezes em pares mistos com ginastas sem deficiência. Mais do que adaptar exercícios, trata-se de adaptar olhares. E isso implica repensar conceitos tradicionais de rendimento, sucesso e até mesmo de perfeição técnica.</p>
<p>A evidência tem vindo a mostrar que o desporto inclusivo produz benefícios que vão muito além da componente física, estendendo-se ao plano psicológico e social. A melhoria da autoestima, o reforço do sentimento de pertença e a construção de relações significativas são apenas algumas das dimensões habitualmente destacadas. Ainda assim, há algo que a teoria dificilmente consegue captar na sua totalidade: a densidade humana que emerge no terreno. E foi precisamente aí, no contexto competitivo de um campeonato onde coexistiam provas de ginástica acrobática e acrobática adaptada, que essa realidade se tornou particularmente evidente.</p>
<p>Depois de um dia inteiro de competição com pares, trios, esquemas femininos, masculinos e mistos, a jornada não terminava com a última classificação. Havia ainda um outro momento, colocado no final do programa, mas que, pela sua natureza, acabava por recentrar tudo aquilo que tinha sido vivido até então. A ginástica acrobática adaptada não surgia como complemento, mas como extensão natural de um mesmo espaço competitivo.</p>
<p>Do ponto de vista da organização, esse caminho não tem sido imediato nem isento de dificuldades. Sandra Rodrigues, uma das responsáveis pelo evento, reconhece que este foi já o terceiro ano de realização, mas que o processo continua em construção. Há questões que persistem e que exigem resposta, sendo a mais evidente a da avaliação. “Os nossos juízes, infelizmente, não estão totalmente preparados para ajuizar este tipo de competição”, admite, com a frontalidade de quem não procura esconder as fragilidades, mas antes assumi-las como parte do processo.</p>
<p>Ainda assim, essa limitação não compromete a convicção. Pelo contrário, reforça-a. A parceria com a Cercibeja e o compromisso com esta vertente mantêm-se como pilares fundamentais do evento. “É um torneio que queremos manter sempre. É muito importante”, afirma, deixando claro que a inclusão, neste contexto, não é circunstancial, mas intencional.</p>
<p>E aquilo que sustenta essa intenção não é apenas a estrutura organizativa, mas sobretudo aquilo que acontece entre os participantes. “Os nossos ginastas, com e sem deficiência, criam aqui laços, tornam-se amigos e apoiam-se uns aos outros”, refere, sublinhando uma dimensão que ultrapassa o plano competitivo. Há convivência, há partilha, há reconhecimento mútuo. “O giro disto é eles conviverem e mostrarem as suas capacidades”, acrescenta, numa frase que traduz de forma simples aquilo que, na prática, se revela profundamente transformador.</p>
<figure id="attachment_240980" aria-describedby="caption-attachment-240980" style="width: 800px" class="wp-caption aligncenter"><img decoding="async" class="wp-image-240980" src="https://www.grada.es/wp-content/uploads/2026/05/32_211_primerafila_gimnasia2.jpg" alt="Quando a ginástica acrobática inclui todos. Mais do que um campeonato, uma lição de humanidade" width="800" height="603" srcset="https://www.grada.es/wp-content/uploads/2026/05/32_211_primerafila_gimnasia2.jpg 1466w, https://www.grada.es/wp-content/uploads/2026/05/32_211_primerafila_gimnasia2-300x226.jpg 300w, https://www.grada.es/wp-content/uploads/2026/05/32_211_primerafila_gimnasia2-1024x772.jpg 1024w, https://www.grada.es/wp-content/uploads/2026/05/32_211_primerafila_gimnasia2-768x579.jpg 768w, https://www.grada.es/wp-content/uploads/2026/05/32_211_primerafila_gimnasia2-600x452.jpg 600w" sizes="(max-width: 800px) 100vw, 800px" /><figcaption id="caption-attachment-240980" class="wp-caption-text">Foto: Cedida</figcaption></figure>
<p>Essa transformação não se esgota no momento competitivo. Prolonga-se no tempo e nos contextos de vida. “Eles estão muito mais abertos a este tipo de questões”, observa, referindo-se aos jovens ginastas sem deficiência, que, através desta experiência, passam a olhar de forma diferente para os outros. “Na escola e na sociedade acabam por ser embaixadores da inclusão”, afirma, identificando um efeito multiplicador que começa no praticável, mas não termina nele.</p>
<p>Se a organização reconhece o caminho e os seus desafios, é na voz de quem avalia que esses desafios ganham contornos ainda mais concretos. Carina Soares, juíza árbitra de ginástica acrobática, acompanhou toda a jornada competitiva e chegou a este momento com a experiência acumulada de um dia inteiro de avaliação técnica. Ainda assim, a acrobática adaptada coloca questões distintas, que não se resolvem com a simples aplicação dos mesmos critérios. “É um momento excelente, é a parte da inclusão, todos têm que estar incluídos em qualquer modalidade”, começa por afirmar, reconhecendo a importância do momento. Mas rapidamente introduz a complexidade que lhe está associada. “Temos muito a evoluir na ginástica”, admite, apontando para um caminho que ainda está a ser construído. A dificuldade, como explica, está na própria natureza da diversidade presente. “Cada ser tem a sua autonomia, a sua forma de estar&#8230; é difícil nós conseguirmos comparar cada par, cada grupo”, refere, evidenciando os limites de uma lógica avaliativa baseada na comparação direta. “Eles têm diversidades diferentes, em termos de locomoção, motricidade fina&#8230; especificidades que estão inerentes à patologia”, acrescenta, tentando nomear aquilo que escapa a uma grelha uniforme.</p>
<p>Perante essa realidade, a resposta não pode ser apenas técnica. Exige sensibilidade, conhecimento contextual e proximidade. “Acho que devíamos incluir quem trabalha com eles todos os dias nesta parte do ajuizamento”, sugere, reconhecendo que esses profissionais detêm uma compreensão mais profunda dos atletas. “Eles têm uma maior sensibilidade, conhecem-nos melhor e conseguem transmitir-nos aquilo que nós, que não estamos no dia a dia, não conseguimos perceber da mesma forma”.</p>
<p>E, ainda assim, no meio desta complexidade, há uma palavra que surge com clareza inesperada: privilégio. Avaliar, neste contexto, não é apenas um exercício técnico. “É um privilégio enorme”, afirma, condensando numa expressão simples a consciência de que está perante algo que ultrapassa a própria lógica da avaliação.</p>
<p>É nessa interseção entre exigência e humanidade que se inscreve também o trabalho da Cercibeja. Vera Neca, Presidente do Conselho de Administração, enquadra este momento como o resultado de um percurso longo e consistente. “A Cercibeja trabalha há 48 anos com pessoas com necessidades especiais”, começa por referir, situando o contexto de intervenção da instituição.</p>
<p>Ao longo desse percurso, a lógica tem sido clara: criar oportunidades significativas. “Aquilo que procuramos é proporcionar experiências aos nossos jovens adultos e, quando essas experiências são prazerosas para eles, dar continuidade”, explica. Não se trata de experimentar por experimentar, mas de construir caminhos que façam sentido para quem participa.</p>
<p>Foi nesse enquadramento que surgiu a aproximação à ginástica acrobática adaptada. “Foi uma experiência que fizemos com a Academia de Desporto de Beja”, refere. Uma primeira tentativa, aberta, sem garantias. Mas a resposta dos participantes acabou por orientar o caminho. “Correu bem. Eles aceitam qualquer desafio”, afirma, numa frase que diz tanto sobre os jovens como sobre a própria decisão de avançar.</p>
<p>A experiência transformou-se em prática regular. “Começámos a dar continuidade e a aprofundar a experiência”, acrescenta. E hoje o cenário é claro: “Eles participam e estão super entusiasmados”.</p>
<p>Mas, mais uma vez, não é apenas a participação que importa. É aquilo que dela resulta. “Só quando estamos a observar é que percebemos a relação que está estabelecida entre eles”, sublinha, chamando a atenção para uma dimensão que não se planeia, mas que emerge “Na forma como se entreajudam, como vivem estes momentos em conjunto”.</p>
<p>E é nesse ponto que se define o verdadeiro objetivo. “Tornar estes momentos e estas práticas de todos e para todos”.</p>
<p>Se a instituição constrói o caminho e a organização o operacionaliza, é nas ginastas que esse caminho ganha corpo.</p>
<p>Sofia Ferreira e Tamara Nunes, atletas do Club Acro (Associação Cultural e Recreativa de Ourique) não falam em conceitos. Falam em experiência vivida, com a honestidade de quem não precisa de elaborar para ser compreendido.</p>
<figure id="attachment_240981" aria-describedby="caption-attachment-240981" style="width: 800px" class="wp-caption aligncenter"><img decoding="async" class="wp-image-240981" src="https://www.grada.es/wp-content/uploads/2026/05/32_211_primerafila_gimnasia3.jpg" alt="Quando a ginástica acrobática inclui todos. Mais do que um campeonato, uma lição de humanidade" width="800" height="456" srcset="https://www.grada.es/wp-content/uploads/2026/05/32_211_primerafila_gimnasia3.jpg 1933w, https://www.grada.es/wp-content/uploads/2026/05/32_211_primerafila_gimnasia3-300x171.jpg 300w, https://www.grada.es/wp-content/uploads/2026/05/32_211_primerafila_gimnasia3-1024x584.jpg 1024w, https://www.grada.es/wp-content/uploads/2026/05/32_211_primerafila_gimnasia3-768x438.jpg 768w, https://www.grada.es/wp-content/uploads/2026/05/32_211_primerafila_gimnasia3-1536x876.jpg 1536w, https://www.grada.es/wp-content/uploads/2026/05/32_211_primerafila_gimnasia3-600x342.jpg 600w" sizes="(max-width: 800px) 100vw, 800px" /><figcaption id="caption-attachment-240981" class="wp-caption-text">Fotos: Cedidas</figcaption></figure>
<p>E essa experiência, no caso de Tamara, começou com resistência. “No início eu não queria fazer”, admite, de forma direta. A proposta partiu do treinador, Paulo Nunes (seu pai), que lançou o desafio de integrar a vertente adaptada. E apesar de um contexto pessoal marcado por uma experiência difícil no passado, que inicialmente gerava algum receio perante este tipo de realidade, “Estava com medo de começar a fazer com alguém que também tinha essas dificuldades”. Mas acabou por prevalecer a vontade de enfrentar o desafio e crescer com ele. A mudança não foi imediata, mas aconteceu. “Depois percebi que tinha que experimentar coisas novas”, afirma. E essa decisão abriu um novo espaço. “Desde que estou a fazer, estou a adorar. É mesmo bem fixe”.</p>
<p>Os treinos ganharam regularidade (“temos treinos às sextas, das duas e meia às quatro”) mas aquilo que mais marca o discurso não é a estrutura, é a relação. “Sentimos um gosto enorme de trabalhar com eles”, dizem. E essa relação é percebida como recíproca. “Eles ficam muito felizes, muito agradecidos”, acrescentam, referindo-se ao impacto que a inclusão tem nos próprios colegas. “Por ver que nós os incluímos na ginástica, que supostamente é uma coisa muito complicada para esses meninos”, explicam, revelando ao mesmo tempo a desconstrução de uma ideia prévia. “Eu acho que eles gostam muito de nos ter lá e ficam muito agradecidos”.</p>
<p>Mas talvez o impacto mais significativo esteja fora do praticável. “Os nossos amigos ficam com uma visão muito diferente desses meninos”, afirmam, sublinhando a transformação que esta experiência provoca nos pares. “Desperta neles curiosidade em trabalhar com eles também”.</p>
<p>E essa mudança torna-se visível em exemplos concretos. “Nós temos raparigas que não queriam fazer, diziam ‘não, nunca’&#8230; e depois perceberam que é fixe, como eu no início, e agora também gostam muito”.</p>
<p>Aqui, a inclusão deixa de ser discurso. Torna-se experiência partilhada. E, mais do que isso, torna-se contagiosa.</p>
<p>Nos praticáveis, tudo isto se materializa em pequenos gestos. Um ajuste de equilíbrio, um olhar de confirmação, um sorriso no final de uma rotina. Detalhes que passam despercebidos a quem vê de fora, mas que, para quem está dentro, explicam tudo. Talvez o maior ensinamento deste campeonato não esteja nas classificações. Talvez esteja naquilo que nos obriga a repensar o próprio conceito de desempenho.</p>
<p>Porque, no fundo, a maior conquista poderá estar naquilo que Vera Neca sintetizou de forma tão simples quanto poderosa: “que se torne normal que todos possamos estar em todos os espaços”.</p>
<p>No final, quando o praticável fica vazio e o ruído dá lugar ao silêncio, permanece uma certeza difícil de ignorar: a verdadeira acrobática não está apenas nos elementos executados, mas na capacidade de elevar o outro. E essa, talvez, seja a forma mais pura da excelência.</p>
<p><strong>José Alberto Parraça</strong></p>
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		<title>Promoção da atividade física: porque é que as famílias continuam de fora?</title>
		<link>https://www.grada.es/promocao-da-atividade-fisica-porque-e-que-as-familias-continuam-de-fora/blogueros/jose-parraca/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[José Parraça]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 15 May 2026 03:09:55 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Colaboradores]]></category>
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		<category><![CDATA[atividade física]]></category>
		<category><![CDATA[comportamento sedentário]]></category>
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		<category><![CDATA[familias]]></category>
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										<content:encoded><![CDATA[<img loading="lazy" decoding="async" width="1672" height="941" src="https://www.grada.es/wp-content/uploads/2026/05/52_211_secciones_afronteira.jpg" class="attachment-full size-full wp-post-image" alt="Promoção da atividade física: porque é que as famílias continuam de fora?" style="float:right; margin:0 0 10px 10px;" srcset="https://www.grada.es/wp-content/uploads/2026/05/52_211_secciones_afronteira.jpg 1672w, https://www.grada.es/wp-content/uploads/2026/05/52_211_secciones_afronteira-300x169.jpg 300w, https://www.grada.es/wp-content/uploads/2026/05/52_211_secciones_afronteira-1024x576.jpg 1024w, https://www.grada.es/wp-content/uploads/2026/05/52_211_secciones_afronteira-768x432.jpg 768w, https://www.grada.es/wp-content/uploads/2026/05/52_211_secciones_afronteira-1536x864.jpg 1536w, https://www.grada.es/wp-content/uploads/2026/05/52_211_secciones_afronteira-600x338.jpg 600w" sizes="(max-width: 1672px) 100vw, 1672px" /><p>A promoção da atividade física e a redução do comportamento sedentário continuam a assumir um papel central nas agendas contemporâneas de saúde pública, tendo em conta a associação amplamente reconhecida entre níveis insuficientes de atividade física e o aumento da prevalência de doenças crónicas não transmissíveis, como a diabetes, as doenças cardiovasculares e várias perturbações da saúde mental.</p>
<p>Para além das implicações individuais, este problema repercute-se também ao nível dos sistemas de saúde e da organização social, traduzindo-se em maior necessidade de medicação, aumento do absentismo laboral e crescente pressão sobre os serviços de saúde.</p>
<p>Apesar do consenso existente relativamente à importância da prática regular de atividade física, os níveis de sedentarismo mantêm-se elevados. Em Portugal, uma proporção expressiva da população adulta continua sem atingir as recomendações mínimas de atividade física, o que evidencia a insuficiência das estratégias atualmente implementadas e reforça a necessidade de repensar os modelos de intervenção.</p>
<p>De forma recorrente, a literatura e o discurso institucional identificam como principais barreiras à prática a falta de tempo, a baixa motivação, os custos associados e diversas dificuldades logísticas. Embora este diagnóstico esteja amplamente consolidado, subsiste uma dimensão frequentemente subvalorizada nas políticas e programas de promoção da atividade física: o contexto familiar. Grande parte das abordagens existentes continua centrada no indivíduo, assumindo implicitamente que a prática de atividade física depende sobretudo da capacidade pessoal de organização, da gestão do tempo e da responsabilização individual. Contudo, esta perspetiva revela-se limitada face à complexidade das dinâmicas quotidianas. As famílias contemporâneas vivem sob forte pressão temporal, marcadas por rotinas fragmentadas, sobrecarga de tarefas, multiplicidade de papéis e crescente mediação tecnológica, fatores que reduzem significativamente o tempo partilhado e favorecem formas passivas de ocupação do tempo.</p>
<p>Neste enquadramento, a atividade física tende a ser percecionada como uma tarefa adicional a integrar numa rotina já saturada, em vez de ser entendida como uma prática compatível com a organização da vida familiar. É precisamente neste ponto que o modelo predominante parece falhar. As barreiras à prática não podem ser interpretadas apenas como obstáculos individuais; são, em larga medida, condicionadas por fatores estruturais relacionados com a gestão do tempo, a organização das responsabilidades familiares e a ausência de respostas adaptadas aos contextos reais de vida.</p>
<p>Para muitas mães, e também para muitos pais, a prática de exercício físico implica frequentemente uma escolha difícil entre o autocuidado e o acompanhamento dos filhos. A impossibilidade de conciliar estas duas dimensões gera custos consideráveis em termos de tempo, energia e recursos financeiros, contribuindo para o abandono da prática e para a manutenção de estilos de vida sedentários.</p>
<p>Neste sentido, importa reformular a questão de partida. O problema não reside apenas no facto de as pessoas não praticarem exercício físico, mas também no modo como a prática tem sido conceptualizada e organizada socialmente. Quando a atividade física deixa de ser pensada como uma responsabilidade exclusivamente individual e passa a ser encarada como uma prática partilhada, deixa de competir com as exigências da vida quotidiana e passa a integrar-se nela de forma mais funcional e sustentável.</p>
<p>É neste contexto que a atividade física em família emerge como uma possibilidade particularmente relevante, embora ainda insuficientemente explorada. Do ponto de vista logístico, esta abordagem permite articular rotinas e reduzir a complexidade da organização diária. Do ponto de vista económico, pode evitar a duplicação de custos associados à participação em atividades distintas para diferentes elementos do agregado. Contudo, a sua principal mais-valia reside na possibilidade de converter o movimento em tempo de qualidade, promovendo presença, interação e comunicação entre os membros da família.</p>
<p>Acresce que a prática partilhada de atividade física pode gerar benefícios que ultrapassam a dimensão estritamente fisiológica, contribuindo também para o bem-estar emocional, o reforço dos vínculos familiares e a melhoria do funcionamento global da família enquanto sistema relacional. Ainda assim, esta perspetiva permanece pouco integrada nas respostas institucionais existentes.</p>
<p>Torna-se, por isso, necessário desenvolver programas e políticas que incorporem de forma mais explícita a realidade familiar nas estratégias de promoção da atividade física. Tal implica, entre outros aspetos, a criação de programas locais orientados para a participação familiar, a disponibilização de espaços compatíveis com a presença de crianças e a definição de horários ajustados às exigências da vida profissional e doméstica. Mais do que segmentar públicos-alvo, importa reconhecer e integrar os contextos concretos em que a vida quotidiana acontece.</p>
<p>Neste processo, municípios, escolas, clubes e organizações comunitárias assumem um papel determinante. Promover a atividade física não pode continuar a significar a sua dissociação da vida familiar; deve, pelo contrário, traduzir-se na capacidade de a integrar de forma efetiva, no entanto, enquanto persistir um modelo excessivamente centrado no indivíduo, os resultados tenderão a repetir-se: baixa adesão, elevada desistência e manutenção de desigualdades no acesso à prática.</p>
<p>Em suma, a mudança necessária não depende exclusivamente de maior motivação individual, mas de uma transformação conceptual e organizacional das estratégias de promoção da atividade física. Para muitas pessoas, a atividade física em família não constitui apenas uma alternativa desejável, mas a única solução viável no contexto da vida real. Assim, mais do que um problema de vontade, o desafio parece residir na ausência de modelos de intervenção ajustados às condições concretas em que as famílias vivem.</p>
<p><strong>José Parraça &amp; Susana Garradas</strong></p>
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		<title>Análise de Saúde em Portugal (2025): síntese crítica</title>
		<link>https://www.grada.es/analise-de-saude-em-portugal-2025-sintese-critica/blogueros/jose-parraca/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[José Parraça]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 15 Apr 2026 02:11:31 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Colaboradores]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Com base no relatório ‘Perfil de Saúde do País 2025’ Portugal apresenta um quadro globalmente favorável da saúde da população portuguesa, embora marcado por fragilidades estruturais persistentes. Em 2024, a esperança de vida à nascença atingiu 82,7 anos, ultrapassando a média da União Europeia e superando os níveis pré-pandemia. Contudo, este ganho quantitativo não se [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<img loading="lazy" decoding="async" width="1376" height="768" src="https://www.grada.es/wp-content/uploads/2026/04/50_210_secciones_afronteira.jpg" class="attachment-full size-full wp-post-image" alt="Análise de Saúde em Portugal (2025): síntese crítica" style="float:right; margin:0 0 10px 10px;" srcset="https://www.grada.es/wp-content/uploads/2026/04/50_210_secciones_afronteira.jpg 1376w, https://www.grada.es/wp-content/uploads/2026/04/50_210_secciones_afronteira-300x167.jpg 300w, https://www.grada.es/wp-content/uploads/2026/04/50_210_secciones_afronteira-1024x572.jpg 1024w, https://www.grada.es/wp-content/uploads/2026/04/50_210_secciones_afronteira-768x429.jpg 768w, https://www.grada.es/wp-content/uploads/2026/04/50_210_secciones_afronteira-600x335.jpg 600w" sizes="(max-width: 1376px) 100vw, 1376px" /><p>Com base no relatório ‘Perfil de Saúde do País 2025’ Portugal apresenta um quadro globalmente favorável da saúde da população portuguesa, embora marcado por fragilidades estruturais persistentes. Em 2024, a esperança de vida à nascença atingiu 82,7 anos, ultrapassando a média da União Europeia e superando os níveis pré-pandemia. Contudo, este ganho quantitativo não se traduz plenamente em anos vividos com boa saúde, já que apenas 54% da população com 16 ou mais anos refere ter boa ou muito boa saúde, valor claramente inferior à média europeia. Esta perceção é ainda mais desfavorável entre as mulheres e os grupos com menores rendimentos, evidenciando desigualdades sociais relevantes no estado de saúde.</p>
<p>O perfil epidemiológico português continua a ser dominado pelas doenças cardiovasculares e pelo cancro, que, em conjunto, representam cerca de 48% dos óbitos. Ainda assim, o relatório assinala progressos importantes, nomeadamente a redução da mortalidade por acidente vascular cerebral e o regresso das taxas de mortalidade evitável e tratável à trajetória anterior à pandemia. Estes dados sugerem uma capacidade razoável do sistema de saúde para responder a problemas clínicos de maior dimensão, embora persistam áreas com margem de melhoria.</p>
<p>O envelhecimento demográfico constitui um dos principais desafios identificados. Portugal é um dos países mais envelhecidos da União Europeia, com uma elevada proporção de pessoas com 65 ou mais anos e uma tendência de agravamento nas próximas décadas. O problema não reside apenas no aumento da longevidade, mas também no facto de muitos desses anos adicionais serem vividos com doença crónica, limitação funcional e maior necessidade de cuidados. O relatório destaca, por isso, a necessidade de reforçar políticas de envelhecimento ativo e saudável, bem como de reorganizar a resposta dos cuidados de saúde e dos cuidados continuados.</p>
<p>No que respeita aos fatores de risco, Portugal apresenta uma situação mista. A prevalência do tabagismo permanece abaixo da média da União Europeia, mas os progressos abrandaram. Em contrapartida, o consumo de álcool continua elevado e a obesidade mantém-se ligeiramente acima da média europeia. Mais preocupante ainda é a forte associação entre obesidade e desigualdade educativa, o que confirma o peso dos determinantes sociais da saúde no contexto português. Assim, apesar de alguns indicadores favoráveis, os comportamentos de risco continuam a contribuir de forma importante para a carga de doença.</p>
<p>No plano financeiro, a despesa em saúde por habitante permanece abaixo da média da União Europeia. Em 2023, Portugal gastou 3.001 euros per capita, valor inferior ao europeu, embora a despesa total em saúde em percentagem do PIB esteja alinhada com a média da União Europeia. O dado mais crítico prende-se com a estrutura de financiamento: apenas 62% da despesa é assegurada por fundos públicos, ao passo que os pagamentos diretos das famílias atingem 29%, um dos valores mais elevados da União Europeia.</p>
<p>Este padrão traduz uma proteção financeira limitada e ajuda a explicar as dificuldades de acesso sentidas por parte da população. Uma parte significativa da população continua a enfrentar necessidades médicas e, sobretudo, dentárias não satisfeitas, devido a custos, distância geográfica ou tempos de espera. Estas dificuldades são substancialmente mais frequentes entre as pessoas em risco de pobreza, o que reforça o caráter socialmente desigual do acesso aos cuidados. Paralelamente, a pressão sobre os recursos humanos é apontada como uma vulnerabilidade central do sistema, sendo referidos o envelhecimento dos profissionais, as cargas de trabalho elevadas e a insuficiência de médicos de família.</p>
<p>Apesar destas limitações, o relatório do ‘Perfil de Saúde do País 2025’ reconhece pontos fortes no sistema de saúde português, designadamente bons resultados em alguns indicadores de eficácia clínica e um grau de maturidade digital acima da média europeia. Portugal surge como um sistema capaz de gerar resultados relevantes, mas confrontado com tensões estruturais que exigem reformas orientadas para a equidade, a sustentabilidade financeira e a capacidade de resposta.</p>
<p>Posto isto, o principal desafio para Portugal não é apenas viver mais, mas garantir que esses anos adicionais sejam vividos com melhor saúde, maior proteção social e acesso mais justo aos cuidados.</p>
<p><strong>José Alberto Parraça &amp; Vanda Lapão Silva</strong></p>
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		<title>O impacto da atividade física na saúde pública: pequenos passos, grandes ganhos</title>
		<link>https://www.grada.es/o-impacto-da-atividade-fisica-na-saude-publica-pequenos-passos-grandes-ganhos/blogueros/jose-parraca/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[José Parraça]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 15 Mar 2026 03:12:43 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Colaboradores]]></category>
		<category><![CDATA[José Parraça]]></category>
		<category><![CDATA[atividade física]]></category>
		<category><![CDATA[atividade física moderada]]></category>
		<category><![CDATA[diversidade funcional]]></category>
		<category><![CDATA[João André Barradas]]></category>
		<category><![CDATA[longevidade]]></category>
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										<content:encoded><![CDATA[<img loading="lazy" decoding="async" width="1368" height="768" src="https://www.grada.es/wp-content/uploads/2026/03/50_209_secciones_afronteirab.jpg" class="attachment-full size-full wp-post-image" alt="O impacto da atividade física na saúde pública: pequenos passos, grandes ganhos" style="float:right; margin:0 0 10px 10px;" srcset="https://www.grada.es/wp-content/uploads/2026/03/50_209_secciones_afronteirab.jpg 1368w, https://www.grada.es/wp-content/uploads/2026/03/50_209_secciones_afronteirab-300x168.jpg 300w, https://www.grada.es/wp-content/uploads/2026/03/50_209_secciones_afronteirab-1024x575.jpg 1024w, https://www.grada.es/wp-content/uploads/2026/03/50_209_secciones_afronteirab-768x431.jpg 768w, https://www.grada.es/wp-content/uploads/2026/03/50_209_secciones_afronteirab-600x337.jpg 600w" sizes="(max-width: 1368px) 100vw, 1368px" /><p>A promoção da atividade física e a redução do comportamento sedentário continuam a ocupar um lugar central nas estratégias globais de saúde pública. Apesar de décadas de evidência científica sobre os benefícios da atividade física para a saúde e longevidade, permanece um desafio fundamental: quantificar, de forma robusta e compreensível para os decisores políticos, o impacto real que pequenas mudanças comportamentais podem ter ao nível populacional.</p>
<p>Estudos recentes, baseados em dados objetivos de acelerometria recolhidos em mais de 40.000 adultos de diferentes países, permitem estimar com elevada precisão o potencial de mortes evitáveis associado à redução do sedentarismo e ao aumento da atividade física de diferentes intensidades. Esta abordagem representa um avanço metodológico relevante face aos estudos baseados em autorrelato, frequentemente sujeitos a viés de memória e de desejabilidade social. Os resultados são simultaneamente impressionantes e pragmáticos: demonstram que aumentos modestos de atividade física, por exemplo, mais 10 minutos diários de atividade física moderada a vigorosa, podem traduzir-se numa redução substancial da mortalidade anual, sobretudo quando integrados em estratégias de intervenção de base populacional. Do mesmo modo, reduções relativamente pequenas do tempo sedentário ou incrementos na atividade física ligeira revelam efeitos protetores significativos, reforçando a ideia de que a saúde não depende exclusivamente de exercício estruturado ou de elevada intensidade.</p>
<p>Estas evidências têm implicações profundas para a formulação de políticas públicas. Em primeiro lugar, deslocam o foco de intervenções excessivamente centradas no exercício formal para abordagens mais inclusivas, realistas e adaptadas à diversidade funcional da população. Promover pausas ativas, incentivar a mobilidade no quotidiano ou reduzir o tempo prolongado em posição sentada surge como uma estratégia viável, equitativa e com impacto mensurável na saúde geral. Em segundo lugar, clarifica-se o debate entre estratégias dirigidas a grupos de alto risco e abordagens universais. Embora intervenções focadas nos indivíduos menos ativos apresentem benefícios relevantes, os dados sugerem que intervenções populacionais mais amplas podem gerar ganhos absolutos superiores em termos de mortes evitadas. Esta constatação reforça o princípio clássico da prevenção populacional: pequenas melhorias distribuídas por muitos indivíduos podem produzir efeitos globais mais expressivos do que grandes mudanças em poucos.</p>
<p>Não obstante, devem também ser sublinhadas limitações importantes que merecem reflexão. A magnitude do impacto atribuído à atividade física moderada a vigorosa varia consoante os pressupostos metodológicos, nomeadamente no que respeita à capacidade funcional dos participantes e aos métodos de quantificação da intensidade da atividade. Estas diferenças não invalidam os resultados globais, mas alertam para a necessidade de maior padronização e validação dos métodos baseados em acelerometria, sobretudo quando os dados são utilizados para informar políticas de saúde pública. Quando existem metodologias capazes de quantificar, de forma objetiva, o número potencial de mortes evitáveis através de alterações comportamentais alcançáveis, criam-se bases científicas sólidas para a tomada de decisão. Mais do que reforçar a mensagem de que “a atividade física faz bem”, importa traduzir essa evidência em métricas compreensíveis, acionáveis e politicamente relevantes.</p>
<p>Urge, por isso, destacar a importância de uma mudança de paradigma: da prescrição idealizada de exercício para a promoção sistemática do movimento ao longo do dia. Pequenos passos, quando adotados por muitos, podem gerar grandes ganhos em saúde pública. As evidências apresentadas reforçam que investir na redução do sedentarismo e no aumento da atividade física, em todas as suas formas, não é apenas desejável, é uma das intervenções mais eficazes e custo-efetivas ao alcance das sociedades contemporâneas.</p>
<p><strong>José Alberto Parraça &amp; João André Barradas</strong></p>
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		<title>A neve não é o único adversário dos desportos de inverno</title>
		<link>https://www.grada.es/a-neve-nao-e-o-unico-adversario-dos-desportos-de-inverno/revista-grada/colaboradores/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[José Parraça]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 13 Feb 2026 03:12:19 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Colaboradores]]></category>
		<category><![CDATA[José Parraça]]></category>
		<category><![CDATA[desportos de inverno]]></category>
		<category><![CDATA[disponibilidade de oxigénio]]></category>
		<category><![CDATA[neve]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Os desportos de inverno exercem um fascínio particular: a montanha, o silêncio da neve, a velocidade do esqui, a exigência do snowboard ou a resistência do ski de fundo. No entanto, por detrás da estética e da adrenalina, existe um contexto fisiológico muito específico, marcado por dois grandes desafios ao organismo humano: a altitude e [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<img loading="lazy" decoding="async" width="2190" height="1250" src="https://www.grada.es/wp-content/uploads/2026/02/50_208_secciones_afronteira.gif" class="attachment-full size-full wp-post-image" alt="A neve não é o único adversário dos desportos de inverno" style="float:right; margin:0 0 10px 10px;" /><p>Os desportos de inverno exercem um fascínio particular: a montanha, o silêncio da neve, a velocidade do esqui, a exigência do snowboard ou a resistência do ski de fundo. No entanto, por detrás da estética e da adrenalina, existe um contexto fisiológico muito específico, marcado por dois grandes desafios ao organismo humano: a altitude e o frio.</p>
<p>Ao contrário de muitas modalidades praticadas ao nível do mar, os desportos de inverno decorrem frequentemente entre os 1.500 e os 3.000 metros de altitude, um ambiente onde a disponibilidade de oxigénio é menor e onde o corpo é obrigado a adaptar-se rapidamente.</p>
<p>À medida que a altitude aumenta, a pressão parcial de oxigénio diminui, o que significa que, mesmo respirando normalmente, chega menos oxigénio aos pulmões e, consequentemente, ao sangue. Este fenómeno reflete-se de forma quase imediata na saturação periférica de oxigénio (SatO₂), que tende a baixar, especialmente em indivíduos não aclimatados.</p>
<p>Para compensar esta menor disponibilidade de oxigénio, o organismo recorre a uma estratégia eficaz: aumentar a frequência cardíaca (FC). O coração bate mais vezes por minuto para tentar garantir que os tecidos continuam a receber oxigénio suficiente. É por isso comum que um esforço considerado ‘moderado’ ao nível do mar provoque, em altitude, valores de FC surpreendentemente elevados.</p>
<p>Nos desportos de inverno, esta resposta é ainda mais relevante, uma vez que muitos deles envolvem esforços intermitentes de alta intensidade, mudanças rápidas de direção e contrações musculares prolongadas, sobretudo dos membros inferiores.</p>
<p>Se a altitude já coloca desafios significativos, o frio acrescenta uma camada extra de complexidade. Em ambientes frios, o corpo ativa mecanismos de vasoconstrição periférica, reduzindo o fluxo sanguíneo da pele com o objetivo de preservar a temperatura central, e este ajuste tem implicações fisiológicas como o aumenta a resistência vascular periférica, o aumento da pressão arterial e como tal, obriga o coração a trabalhar contra uma maior resistência.</p>
<p>Em simultâneo, o frio pode induzir uma sensação enganadora de menor fadiga, levando o praticante a subestimar o esforço real que está a realizar. O resultado é uma combinação potencialmente exigente com a FC elevada, a SatO₂ reduzida e perceção subjetiva de esforço relativamente baixa.</p>
<p>A monitorização da frequência cardíaca e da saturação de oxigénio assume, neste contexto, um papel fundamental. Valores persistentemente elevados de FC, associados a quedas acentuadas da SatO₂, podem ser sinais de falta de aclimatação à altitude, fadiga excessiva e pode aumentar o risco de outros sintomas como tonturas, cefaleias ou náuseas.</p>
<p>Nos praticantes recreativos, estes sinais são frequentemente ignorados ou atribuídos apenas ao ‘cansaço normal’. No entanto, em indivíduos menos treinados, mais velhos ou com fatores de risco cardiovasculares, esta combinação pode representar um elevado stress fisiológico.</p>
<p>Uma boa adaptação aos desportos de inverno passa por princípios simples, mas muitas vezes esquecidos, tais como subir de altitude de forma progressiva, sempre que possível; evitar esforços máximos nos primeiros dias; garantir hidratação adequada (o frio aumenta as perdas hídricas, apesar de reduzir a sensação de sede); respeitar sinais do corpo, sobretudo alterações marcadas da FC e sintomas associados à hipoxia.</p>
<p>Do ponto de vista do treino e da saúde, os desportos de inverno são uma excelente oportunidade para estimular capacidades cardiovasculares e neuromusculares, mas exigem consciência fisiológica e respeito pelo ambiente.</p>
<p>Praticar desportos de inverno é muito mais do que deslizar sobre a neve. É expor o corpo a um contexto onde menos oxigénio e mais frio desafiam o coração, os pulmões e os músculos de forma integrada. Compreender a relação entre altitude, frio, frequência cardíaca e saturação de oxigénio permite não só melhorar o desempenho, mas sobretudo praticar com mais segurança e prazer.</p>
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		<title>Do prato à reserva: o que acontece aos açúcares depois das festas?</title>
		<link>https://www.grada.es/do-prato-a-reserva-o-que-acontece-aos-acucares-depois-das-festas/blogueros/jose-parraca/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[José Parraça]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 15 Jan 2026 03:12:42 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Colaboradores]]></category>
		<category><![CDATA[José Parraça]]></category>
		<category><![CDATA[açúcares]]></category>
		<category><![CDATA[consumidor metabólico]]></category>
		<category><![CDATA[exercício]]></category>
		<category><![CDATA[glicogénio]]></category>
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		<category><![CDATA[Natal]]></category>
		<category><![CDATA[Passagem de Ano]]></category>
		<category><![CDATA[regras alimentares]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>O Natal e a Passagem de Ano são, para muitos de nós, um tempo de suspensão das rotinas, suspendem-se horários e, quase sempre, suspendem-se também algumas regras alimentares. À mesa, multiplicam-se os doces, as sobremesas tradicionais, os chocolates e as bebidas alcoólicas geralmente acompanham conversas longas e reencontros. É o açúcar quem ganha protagonismo. A [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<img loading="lazy" decoding="async" width="2560" height="1440" src="https://www.grada.es/wp-content/uploads/2026/01/50_207_secciones_afronteira-scaled.jpg" class="attachment-full size-full wp-post-image" alt="Do prato à reserva: o que acontece aos açúcares depois das festas?" style="float:right; margin:0 0 10px 10px;" srcset="https://www.grada.es/wp-content/uploads/2026/01/50_207_secciones_afronteira-scaled.jpg 2560w, https://www.grada.es/wp-content/uploads/2026/01/50_207_secciones_afronteira-300x169.jpg 300w, https://www.grada.es/wp-content/uploads/2026/01/50_207_secciones_afronteira-1024x576.jpg 1024w, https://www.grada.es/wp-content/uploads/2026/01/50_207_secciones_afronteira-768x432.jpg 768w, https://www.grada.es/wp-content/uploads/2026/01/50_207_secciones_afronteira-1536x864.jpg 1536w, https://www.grada.es/wp-content/uploads/2026/01/50_207_secciones_afronteira-2048x1152.jpg 2048w, https://www.grada.es/wp-content/uploads/2026/01/50_207_secciones_afronteira-600x338.jpg 600w" sizes="(max-width: 2560px) 100vw, 2560px" /><p>O Natal e a Passagem de Ano são, para muitos de nós, um tempo de suspensão das rotinas, suspendem-se horários e, quase sempre, suspendem-se também algumas regras alimentares. À mesa, multiplicam-se os doces, as sobremesas tradicionais, os chocolates e as bebidas alcoólicas geralmente acompanham conversas longas e reencontros. É o açúcar quem ganha protagonismo. A pergunta que importa fazer não é se devemos ou não consumi-lo nestas épocas, mas antes: o que faz o nosso corpo com esse excesso e o que acontece depois da festa acabar?</p>
<p>Quando ingerimos alimentos ricos em açúcares simples, estes são rapidamente absorvidos e entram na corrente sanguínea sob a forma de glicose. O organismo responde de imediato, libertando insulina, uma hormona essencial para permitir que essa glicose entre nas células e seja utilizada como fonte energética. Em condições normais, esta energia serve para alimentar as funções vitais, o movimento, o pensamento e até o simples facto de estarmos acordados.</p>
<p>Numa fase inicial, o corpo tenta ser eficiente. Parte dessa glicose é armazenada sob a forma de glicogénio, uma espécie de ‘reserva rápida’ que existe sobretudo no fígado e nos músculos. O glicogénio muscular é utilizado quando nos mexemos, caminhamos, treinamos ou realizamos qualquer tarefa fisicamente exigente. O glicogénio hepático ajuda a manter os níveis de açúcar no sangue estáveis entre refeições ou durante o sono.</p>
<p>O problema é que estas reservas têm um limite. Não são infinitas. Durante as épocas festivas, esse limite é rapidamente atingido. Com várias refeições ricas em hidratos de carbono, sobremesas sucessivas e, muitas vezes, menos atividade física, o organismo vê-se confrontado com uma abundância energética que não consegue ‘guardar’ apenas sob a forma de glicogénio. É aqui que entra o mecanismo que tantas vezes é visto como inimigo: o armazenamento de gordura.</p>
<p>Quando o açúcar ingerido não é gasto nem pode ser armazenado como glicogénio, o corpo converte esse excesso em gordura, não por falha metabólica, mas por sobrevivência. O tecido adiposo é, do ponto de vista evolutivo, uma reserva estratégica. O problema surge quando essa estratégia deixa de ser pontual e passa a ser repetida ano após ano, festa após festa, sem um período de compensação.</p>
<p>Alguns tipos de açúcar, como a frutose, muito presente em doces, refrigerantes e sobremesas industriais, merecem especial atenção. A frutose é metabolizada quase exclusivamente no fígado e, em excesso, favorece a produção de gordura hepática. Não provoca picos de glicemia tão evidentes como a glicose, mas isso não a torna inofensiva. Pelo contrário, o seu consumo elevado e regular associa-se a maior acumulação de gordura visceral, aquela que rodeia os órgãos, geralmente situa-se ao nível do abdómen e está ligada a um maior risco metabólico.</p>
<p>Chegados ao fim das festas, surge muitas vezes a ideia de “compensar os excessos”. Do ponto de vista fisiológico, esta noção até faz algum sentido, desde que seja encarada de forma realista e sustentável. O período pós-Natal e pós-Ano Novo pode ser uma oportunidade para o corpo utilizar parte dessas reservas acumuladas. A retoma da atividade física, seja através de caminhadas, treino de força, aulas de grupo ou simplesmente mais movimento no dia a dia, aumenta o consumo de glicogénio e melhora a sensibilidade à insulina.</p>
<p>O exercício físico funciona, assim, como um verdadeiro ‘consumidor metabólico’ dos excessos festivos. Não apaga o passado, mas reequilibra o presente. O problema é quando este momento nunca chega. Quando o regresso à rotina mantém padrões alimentares desequilibrados e os níveis de atividade física baixos, o corpo interpreta a abundância como norma. A gordura acumulada deixa de ser transitória e passa a ser estrutural. Importa sublinhar que esta reflexão não deve ser feita em tom de culpa.</p>
<p>Comer também é cultura, afeto, memória e pertença. O erro não está no Natal, nem na mesa partilhada, mas na ausência de consciência ao longo do resto do ano. O corpo humano é extraordinariamente adaptável, mas precisa de estímulos para gastar aquilo que recebe.</p>
<p>Talvez o maior desafio não seja ‘queimar’ os açúcares das festas, mas repensar a relação com o movimento e com a alimentação nos dias que se seguem. O equilíbrio não se constrói numa semana, mas também não se perde num jantar. O corpo regista tudo, mas também responde quando é chamado a agir. No fim de contas, os açúcares das épocas festivas podem ser combustível ou podem tornar-se reserva. A diferença está menos no que acontece entre o Natal e o Ano Novo e mais no que fazemos entre o Ano Novo e o próximo Natal.</p>
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		<item>
		<title>O custo da inatividade física para os sistemas de saúde</title>
		<link>https://www.grada.es/o-custo-da-inatividade-fisica-para-os-sistemas-de-saude/blogueros/jose-parraca/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[José Parraça]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 15 Dec 2025 03:11:48 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Colaboradores]]></category>
		<category><![CDATA[José Parraça]]></category>
		<category><![CDATA[cancro]]></category>
		<category><![CDATA[demencia]]></category>
		<category><![CDATA[depressão]]></category>
		<category><![CDATA[doenças cardiovasculares]]></category>
		<category><![CDATA[doenças não transmissíveis]]></category>
		<category><![CDATA[hipertensão arterial]]></category>
		<category><![CDATA[inatividade física]]></category>
		<category><![CDATA[sedentarismo]]></category>
		<category><![CDATA[sistemas de saúde]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>A inatividade física é reconhecida como um dos principais fatores de risco modificáveis para diversas doenças não transmissíveis (DNT), incluindo doenças cardiovasculares, diabetes tipo 2, vários tipos de cancro, hipertensão arterial, demência e depressão. Apesar do amplo conhecimento científico sobre os benefícios da atividade física, os níveis globais de sedentarismo permanecem praticamente estagnados há mais [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<img loading="lazy" decoding="async" width="2560" height="1097" src="https://www.grada.es/wp-content/uploads/2025/12/50_206_secciones_afronteira-scaled.jpg" class="attachment-full size-full wp-post-image" alt="O custo da inatividade física para os sistemas de saúde" style="float:right; margin:0 0 10px 10px;" srcset="https://www.grada.es/wp-content/uploads/2025/12/50_206_secciones_afronteira-scaled.jpg 2560w, https://www.grada.es/wp-content/uploads/2025/12/50_206_secciones_afronteira-300x129.jpg 300w, https://www.grada.es/wp-content/uploads/2025/12/50_206_secciones_afronteira-1024x439.jpg 1024w, https://www.grada.es/wp-content/uploads/2025/12/50_206_secciones_afronteira-768x329.jpg 768w, https://www.grada.es/wp-content/uploads/2025/12/50_206_secciones_afronteira-1536x658.jpg 1536w, https://www.grada.es/wp-content/uploads/2025/12/50_206_secciones_afronteira-2048x878.jpg 2048w, https://www.grada.es/wp-content/uploads/2025/12/50_206_secciones_afronteira-600x257.jpg 600w" sizes="(max-width: 2560px) 100vw, 2560px" /><p>A inatividade física é reconhecida como um dos principais fatores de risco modificáveis para diversas doenças não transmissíveis (DNT), incluindo doenças cardiovasculares, diabetes tipo 2, vários tipos de cancro, hipertensão arterial, demência e depressão. Apesar do amplo conhecimento científico sobre os benefícios da atividade física, os níveis globais de sedentarismo permanecem praticamente estagnados há mais de uma década.</p>
<p>Segundo as estimativas apresentadas, caso a prevalência de inatividade física se mantenha, ocorrerão cerca de 500 milhões de novos casos preveníeis de DNT e condições de saúde mental alteradas entre 2020 e 2030. Destes, quase 47% corresponderão à hipertensão (aprox. 234,6 milhões de casos) e 43% à depressão e ansiedade (215,7 milhões). Diabetes tipo 2 representará 2% dos novos casos preveníeis, enquanto vários tipos de cancro e demência representarão percentagens menores de incidência, mas não necessariamente de custos.</p>
<p>A distribuição global destes novos casos é profundamente desigual. Cerca de 74% ocorrerão em países de baixo e médio rendimento, especialmente nas regiões do Pacífico Ocidental e do Sudeste Asiático, que acumularão juntas quase metade dos casos globais. No entanto, paradoxalmente, os países de alto rendimento suportarão 63% dos custos económicos totais. Esta discrepância deve-se essencialmente ao maior custo dos cuidados de saúde nos países desenvolvidos e à maior cobertura e acesso aos sistemas de saúde.</p>
<p>Em termos económicos, estima-se que a inatividade física acarretará um custo direto global de cerca de US$ 301,8 mil milhões (270 mil milhões de €) ao longo de 11 anos. Trata-se de um aumento superior a 50% relativamente ao último estudo global, consequência da inclusão de novos desfechos clínicos e da atualização dos custos de saúde. Embora a demência represente apenas 3% dos novos casos preveníeis, será responsável por 22% dos custos totais devido ao elevado custo de diagnóstico, tratamento e cuidados continuados. Os cancros representam 1% dos casos, mas 15% dos custos; a diabetes tipo 2, 2% dos casos, mas 9% dos custos. Esta assimetria reforça a importância de considerar não apenas a prevalência das doenças, mas também o seu peso económico quando se discutem políticas de prevenção.</p>
<p>Do ponto de vista metodológico, há estudos que se baseiam no cálculo de population attributable fractions (PAF), utilizando riscos relativos atualizados a partir de meta-análises recentes e prevalências de inatividade física por país e sexo com incidência anual de doenças obtidas de bases de dados internacionais, onde projetam o impacto até 2030 considerando o crescimento populacional.</p>
<p>Para estimar os custos, alguns autores recorrem a diferentes fontes, tais como bases dados da OMS para cancros, International Diabetes Federation para a diabetes, relatórios de custos para demência e extrapolações baseadas nos custos médios de países da União Europeia para doenças cardiovasculares, depressão e hipertensão, ajustados através de fatores de ponderação por despesa em saúde. Embora haja limitações importantes nestas estimativas, particularmente a ausência de dados específicos de custos para muitos países de baixo e médio rendimento, o que obriga à utilização de extrapolações. Os números apresentados representam apenas os custos diretos iniciais (geralmente o primeiro ano de tratamento), não incorporando custos acumulados, incapacidades, mortalidade ou perdas de produtividade, o que significa que os valores reais da carga económica da inatividade física são provavelmente muito superiores.</p>
<p>Apesar da existência do WHO-Global Action Plan on Physical Activity 2018-2030, que recomenda intervenções baseadas em evidência para promover a atividade física, a implementação tem sido lenta e desigual entre os países. Existe então uma necessidade urgente de uma abordagem multissectorial e de reforço das políticas públicas, envolvendo planeamentos urbanos, transportes, educação, desporto, saúde e comunicação social. Investimentos em sistemas que promovam ambientes ativos, mobilidade suave, programas comunitários e campanhas de comunicação têm sido comprovados como custo-efetivos e essenciais para atingir as metas dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) estabelecidos, especialmente a redução da mortalidade por DNT até 2030.</p>
<p>Conclui então que a falta de ações politicas perante a inatividade física terá efeitos devastadores para a saúde global e para os sistemas de saúde mundiais, representando um peso económico insustentável. Assim sendo considera-se que os argumentos apresentados devem fazer com que os decisores políticos priorizarem investimentos em estratégias de promoção da atividade física, com benefícios claros para a saúde pública, finanças públicas e bem-estar social.</p>
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		<title>Inteligência artificial e promoção de estilos de vida ativos</title>
		<link>https://www.grada.es/inteligencia-artificial-e-promocao-de-estilos-de-vida-ativos/blogueros/jose-parraca/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[José Parraça]]></dc:creator>
		<pubDate>Sat, 15 Nov 2025 03:11:03 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Colaboradores]]></category>
		<category><![CDATA[José Parraça]]></category>
		<category><![CDATA[estilo de vida ativo]]></category>
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										<content:encoded><![CDATA[<img loading="lazy" decoding="async" width="2560" height="1440" src="https://www.grada.es/wp-content/uploads/2025/11/50_205_secciones_afronteira-scaled.jpg" class="attachment-full size-full wp-post-image" alt="Inteligência artificial e promoção de estilos de vida ativos" style="float:right; margin:0 0 10px 10px;" srcset="https://www.grada.es/wp-content/uploads/2025/11/50_205_secciones_afronteira-scaled.jpg 2560w, https://www.grada.es/wp-content/uploads/2025/11/50_205_secciones_afronteira-300x169.jpg 300w, https://www.grada.es/wp-content/uploads/2025/11/50_205_secciones_afronteira-1024x576.jpg 1024w, https://www.grada.es/wp-content/uploads/2025/11/50_205_secciones_afronteira-768x432.jpg 768w, https://www.grada.es/wp-content/uploads/2025/11/50_205_secciones_afronteira-1536x864.jpg 1536w, https://www.grada.es/wp-content/uploads/2025/11/50_205_secciones_afronteira-2048x1152.jpg 2048w, https://www.grada.es/wp-content/uploads/2025/11/50_205_secciones_afronteira-600x338.jpg 600w" sizes="(max-width: 2560px) 100vw, 2560px" /><p>A inatividade física é atualmente um dos maiores desafios da saúde pública global. De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), um em cada quatro adultos não pratica atividade física suficiente, o que representa aproximadamente 1,4 mil milhões de pessoas em todo o mundo. Este fenómeno está diretamente associado ao aumento de doenças crónicas como a diabetes tipo 2, doenças cardiovasculares, obesidade, declínio cognitivo e menor qualidade de vida, sobretudo em populações mais vulneráveis. Para inverter esta tendência, é necessário adotar estratégias integradas e inovadoras que envolvam a tecnologia, a ciência dos dados e a personalização das intervenções.</p>
<p>É neste contexto que a inteligência artificial se destaca como uma ferramenta poderosa e transformadora. A inteligência artificial refere-se à capacidade de sistemas computacionais aprenderem autonomamente com dados, reconhecerem padrões complexos e tomarem decisões informadas. As suas principais áreas de aplicação incluem o machine learning, o processamento de linguagem natural e a visão computacional. Estas tecnologias permitem que os sistemas analisem informação em larga escala, compreendam linguagem humana e interpretem imagens ou movimentos, tornando-se particularmente úteis para o acompanhamento e promoção da saúde individual e coletiva.</p>
<p>Na saúde comunitária, a inteligência artificial representa uma revolução. Para além de acelerar diagnósticos e personalizar tratamentos, reduz custos operacionais e permite prever riscos antes que estes se manifestem clinicamente. O foco deixa de ser apenas a medicina reativa, centrada no tratamento da doença, e passa a ser uma medicina preventiva e proativa, que procura manter as pessoas saudáveis. A inteligência artificial tem um papel decisivo na promoção de estilos de vida ativos através de monitorização contínua, feedback em tempo real e personalização das recomendações.</p>
<p>Os dispositivos vestíveis, como relógios inteligentes e sensores corporais, recolhem continuamente dados sobre movimento, frequência cardíaca, sono, stress e gasto energético. Esses dados são processados por algoritmos de inteligência artificial que identificam padrões, detetam anomalias e ajustam automaticamente as recomendações. Assim, o utilizador passa a receber sugestões personalizadas para melhorar o seu comportamento físico e o seu bem-estar geral. Trata-se de uma nova forma de intervenção: mais precisa, imediata e adaptada à realidade de cada indivíduo.</p>
<p>A personalização é um dos grandes trunfos da inteligência artificial. Os programas de treino adaptam-se continuamente ao desempenho real, ao nível de energia e à recuperação do utilizador. Caso o sistema detete sinais de fadiga, reduz a intensidade do treino; se, pelo contrário, o utilizador mostrar progressos rápidos, o sistema aumenta o desafio. Além disso, os ‘chatbots’ inteligentes fornecem apoio emocional e motivacional, reconhecendo o estado de espírito do utilizador e oferecendo mensagens de encorajamento no momento certo. O recurso à gamificação com recompensas, desafios e metas personalizadas aumenta a adesão e o envolvimento, tornando a prática regular de exercício mais apelativa e sustentável.</p>
<p>Ao nível comunitário, o potencial da inteligência artificial é igualmente notável. Os algoritmos podem analisar dados demográficos e comportamentais para identificar grupos em risco, áreas prioritárias e fatores de vulnerabilidade. Essa análise permite criar políticas locais mais eficazes, desenhar espaços urbanos promotores de atividade física e desenvolver programas municipais inteligentes com monitorização contínua de impacto. Este ecossistema integrado potencia a colaboração entre profissionais de saúde, técnicos de desporto, urbanistas e decisores políticos, todos a trabalhar com base nas mesmas evidências geradas por inteligência artificial.</p>
<p>Os benefícios esperados são significativos: estudos apontam para um aumento de até 45% na adesão à atividade física quando as intervenções são personalizadas e mediadas por inteligência artificial, uma redução de cerca de 60% nos custos de saúde e uma efetividade até três vezes superior às abordagens tradicionais. Além disso, há um ganho importante na literacia em saúde, os cidadãos tornam-se mais conscientes do seu corpo e comportamento, assumindo maior responsabilidade pela própria saúde.</p>
<p>Contudo, esta transformação traz também desafios éticos e sociais que devem ser cuidadosamente considerados. A privacidade e segurança dos dados de saúde são preocupações centrais, exigindo encriptação rigorosa, consentimento informado e total transparência no uso da informação. O viés algorítmico é outro risco real: sistemas treinados com dados não representativos podem reforçar desigualdades de género, raça ou condição socioeconómica. Da mesma forma, a exclusão digital é um perigo pois, nem todos têm acesso à tecnologia ou literacia digital necessária, pelo que a inclusão deve ser um princípio orientador em todas as fases do processo.</p>
<p>Além disso, a inteligência artificial deve complementar, e não substituir, o contacto humano. Os profissionais de saúde continuam a ser insubstituíveis na empatia, no julgamento clínico e no apoio emocional. A tecnologia deve libertar tempo para reforçar a relação humana no cuidado e não reduzi-la a interações automáticas.</p>
<p>Casos recentes ilustram os riscos de uma utilização irresponsável da inteligência artificial, como chatbots que forneceram recomendações médicas erradas ou que influenciaram negativamente utilizadores vulneráveis. Estes episódios sublinham a necessidade de regulamentação robusta, como o ‘AI Act’ (Regulamento Europeu 2024/1689), que define padrões éticos, de transparência e de segurança para a utilização da inteligência artificial na União Europeia.</p>
<p>O futuro da saúde comunitária será, inevitavelmente, moldado pela colaboração entre a inteligência humana e a artificial. Médicos, investigadores, engenheiros e decisores devem trabalhar em conjunto para aproveitar o potencial da inteligência artificial, garantindo que a inovação tecnológica se traduz em benefícios reais para as pessoas.</p>
<p>A inteligência artificial não substituirá o médico ou o professor, mas amplificará as suas capacidades. Permitirá diagnósticos mais precisos, cuidados mais acessíveis e uma medicina mais humana, porque, paradoxalmente, quanto mais tecnológica a saúde se torna, mais essencial se torna a empatia. O futuro é uma parceria entre a intuição humana e a precisão computacional, construindo sistemas de saúde mais eficazes, inclusivos e sustentáveis.</p>
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		<title>Ser gordo é ser saudável? Uma visão cultural no Alentejo e na Extremadura que importa desconstruir</title>
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		<dc:creator><![CDATA[José Parraça]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 15 Oct 2025 02:11:28 +0000</pubDate>
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										<content:encoded><![CDATA[<img loading="lazy" decoding="async" width="2560" height="1440" src="https://www.grada.es/wp-content/uploads/2025/10/50_204_secciones_afronteira-scaled.jpg" class="attachment-full size-full wp-post-image" alt="Ser gordo é ser saudável? Uma visão cultural no Alentejo e na Extremadura que importa desconstruir" style="float:right; margin:0 0 10px 10px;" srcset="https://www.grada.es/wp-content/uploads/2025/10/50_204_secciones_afronteira-scaled.jpg 2560w, https://www.grada.es/wp-content/uploads/2025/10/50_204_secciones_afronteira-300x169.jpg 300w, https://www.grada.es/wp-content/uploads/2025/10/50_204_secciones_afronteira-1024x576.jpg 1024w, https://www.grada.es/wp-content/uploads/2025/10/50_204_secciones_afronteira-768x432.jpg 768w, https://www.grada.es/wp-content/uploads/2025/10/50_204_secciones_afronteira-1536x864.jpg 1536w, https://www.grada.es/wp-content/uploads/2025/10/50_204_secciones_afronteira-2048x1152.jpg 2048w, https://www.grada.es/wp-content/uploads/2025/10/50_204_secciones_afronteira-600x338.jpg 600w" sizes="(max-width: 2560px) 100vw, 2560px" /><p><strong>José Alberto Parraça &amp; Pedro Toscano</strong></p>
<p>No Alentejo e na vizinha Extremadura espanhola, persiste uma crença cultural que atravessa gerações: a de que “ser gordo é ser saudável”. Não é raro ouvirmos comentários de admiração como “Olha que bem constituído que ele está, parece um touro!”, ou elogios a uma criança mais rechonchuda como sinal de vitalidade e boa alimentação. Pelo contrário, quando alguém apresenta uma constituição mais magra ou ectomorfa, é comum ouvir-se a associação imediata a doença, fraqueza ou até pobreza.</p>
<p>Esta visão, apesar de hoje parecer ultrapassada, tem raízes profundas. Durante séculos, quer no Alentejo, quer na Extremadura, a vida foi marcada pela dureza do trabalho agrícola e por longos períodos a comida era limitada e o esforço físico uma constante. Nesse contexto, um corpo mais volumoso representava fartura, acesso a alimentos, prosperidade e força para enfrentar o dia a dia. Ser robusto era sinónimo de resistência, enquanto a magreza era vista como reflexo de dificuldades, de falta de sustento ou mesmo de doença.</p>
<p>O problema é que esta associação cultural, tão enraizada, já não corresponde à realidade atual. Se, outrora, gordura podia significar energia acumulada para resistir a períodos de privação, hoje representa, na maioria dos casos, um excesso perigoso que compromete a saúde. A ciência demonstrou de forma inequívoca que a obesidade é um dos principais fatores de risco para doenças crónicas e incapacitantes. Diabetes tipo 2, hipertensão arterial, dislipidemias, doenças cardiovasculares e até alguns tipos de cancro estão diretamente relacionados com o excesso de peso.</p>
<p>Neste sentido, longe de traduzir vitalidade, a obesidade é frequentemente a porta de entrada para um conjunto de patologias que reduzem drasticamente a qualidade de vida, a autonomia e até a esperança de vida. É certo que existem pessoas com mais peso que apresentam exames dentro da normalidade, mas, em termos populacionais, a evidência é clara: quanto maior o excesso de gordura corporal, maior a probabilidade de desenvolver doenças metabólicas.</p>
<p>Por outro lado, importa reabilitar a imagem da magreza saudável. Ter um peso normativo, dentro dos parâmetros recomendados, tantas vezes desvalorizado culturalmente, é na realidade reflexo de equilíbrio e de saúde. Um corpo magro ou normoponderal não é, por definição, um corpo frágil ou doente; pelo contrário, é geralmente um organismo que funciona de forma eficiente: boa capacidade respiratória, força ajustada, mobilidade preservada, ausência de inflamação crónica e um metabolismo regulado.</p>
<p>Claro que a saúde não se mede apenas na balança. O peso é apenas um indicador entre muitos outros. Há pessoas magras com estilos de vida pouco saudáveis, assim como pessoas com excesso de peso que praticam atividade física regularmente. Mas se pensarmos em termos de risco global e de prevenção de doenças, a evidência é incontornável e manter um peso adequado é um dos pilares fundamentais da saúde ao longo da vida.</p>
<p>O desafio que se coloca no Alentejo e na Extremadura é, por isso, cultural. É necessário desconstruir esta ideia antiga de que “quanto mais gordo, mais saudável” e substituí-la por uma cultura de equilíbrio. Não se trata de impor padrões estéticos, mas sim de promover literacia em saúde. É fundamental educar para que a verdadeira robustez não seja confundida com excesso de gordura, mas sim com bem-estar físico, mental e social.</p>
<p>Neste processo, a alimentação equilibrada e a prática regular de atividade física assumem um papel central. Não é necessário recorrer a soluções extremas ou modas passageiras, basta apenas privilegiar a dieta mediterrânica, tão característica destas regiões, rica em hortícolas, leguminosas e azeite, e valorizar a prática de exercício físico regular, seja em ginásios, seja em espaços comunitários ou simplesmente caminhando nos campos e nas vilas que caracterizam estas terras do interior.</p>
<p>O Alentejo e a Extremadura, terras de tradição e identidade fortes, podem também ser exemplo de mudança cultural. Tal como as duas regiões se têm vindo a reinventar em tantas áreas como é o exemplo do turismo, do património, da agricultura e cada vez mais da inovação tecnológica, assim, também na saúde é possível construir um novo paradigma. Um paradigma onde ser saudável não é sinónimo de ser gordo, mas de viver em harmonia com o corpo, respeitando os limites naturais e prevenindo a doença antes que ela apareça.</p>
<p>A saúde não se mede pelo tamanho da roupa nem pelo volume corporal. Mede-se pelo funcionamento harmonioso do organismo, pela energia disponível para o quotidiano e pela ausência de fatores de risco que encurtam a vida. O futuro da saúde no Alentejo e na Extremadura passa por esta mudança cultural. Só assim será possível transformar a antiga crença em fartura numa nova realidade de equilíbrio, longevidade e bem-estar.</p>
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		<title>Sol, vitamina D e exercício</title>
		<link>https://www.grada.es/sol-vitamina-d-e-exercicio/blogueros/jose-parraca/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[José Parraça]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 15 Sep 2025 02:10:24 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Colaboradores]]></category>
		<category><![CDATA[José Parraça]]></category>
		<category><![CDATA[adaptação fisiológica]]></category>
		<category><![CDATA[exercício]]></category>
		<category><![CDATA[fadiga muscular]]></category>
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		<category><![CDATA[metabolismo ósseo]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>A vitamina D, tradicionalmente reconhecida pela sua função central na regulação do metabolismo ósseo e na homeostase do cálcio, tem vindo a ser amplamente estudada no contexto do exercício físico e da recuperação muscular. Alguns estudos têm demonstrado que esta vitamina desempenha papéis fundamentais na performance, na adaptação fisiológica ao treino e na recuperação pós-esforço. [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<img loading="lazy" decoding="async" width="1820" height="1024" src="https://www.grada.es/wp-content/uploads/2025/09/50_203_secciones_afronteira.jpg" class="attachment-full size-full wp-post-image" alt="Sol, vitamina D e exercício" style="float:right; margin:0 0 10px 10px;" srcset="https://www.grada.es/wp-content/uploads/2025/09/50_203_secciones_afronteira.jpg 1820w, https://www.grada.es/wp-content/uploads/2025/09/50_203_secciones_afronteira-300x169.jpg 300w, https://www.grada.es/wp-content/uploads/2025/09/50_203_secciones_afronteira-1024x576.jpg 1024w, https://www.grada.es/wp-content/uploads/2025/09/50_203_secciones_afronteira-768x432.jpg 768w, https://www.grada.es/wp-content/uploads/2025/09/50_203_secciones_afronteira-1536x864.jpg 1536w, https://www.grada.es/wp-content/uploads/2025/09/50_203_secciones_afronteira-600x338.jpg 600w" sizes="(max-width: 1820px) 100vw, 1820px" /><p>A vitamina D, tradicionalmente reconhecida pela sua função central na regulação do metabolismo ósseo e na homeostase do cálcio, tem vindo a ser amplamente estudada no contexto do exercício físico e da recuperação muscular.</p>
<p>Alguns estudos têm demonstrado que esta vitamina desempenha papéis fundamentais na performance, na adaptação fisiológica ao treino e na recuperação pós-esforço. A sua relevância ultrapassa a mera manutenção da saúde óssea, abrangendo mecanismos que envolvem a função muscular, a modulação inflamatória, a imunidade e a síntese hormonal, com impacto direto no rendimento e na prevenção de lesões.</p>
<p>Durante o exercício, sobretudo em modalidades de elevada intensidade ou volume, ocorrem microlesões nas fibras musculares, resultantes do esforço mecânico e da produção aumentada de espécies reativas de oxigénio (ROS). Este processo desencadeia uma resposta inflamatória local, essencial para o reparo tecidual, mas que, quando exacerbada ou prolongada, pode levar a um atraso na recuperação e a maior dor muscular tardia (‘delayed onset muscle soreness’, DOMS).</p>
<p>A vitamina D atua como um modulador anti-inflamatório, reduzindo a expressão de citocinas pró-inflamatórias, como a interleucina-6 (IL-6) e o fator de necrose tumoral alfa (TNF-α), ao mesmo tempo que estimula a produção de citocinas anti-inflamatórias, favorecendo um ambiente propício à regeneração muscular. Esta ação é particularmente importante no período pós-exercício, segundo o ciclo de autorregeneração da matéria viva onde o organismo necessita equilibrar processos catabólicos e anabólicos para otimizar a recuperação.</p>
<p>Outro aspeto relevante é o papel da vitamina D na função muscular, mediado pela presença de recetores de vitamina D nas fibras musculares. A ativação desses recetores está associada ao aumento da síntese de proteínas contráteis e ao fortalecimento da função mitocondrial, fatores que contribuem para uma maior eficiência do metabolismo energético e para a reparação das fibras musculares danificadas.</p>
<p>A deficiência de vitamina D tem sido correlacionada com maior fadiga muscular, menor força e uma recuperação mais lenta após esforços físicos, comprometendo o desempenho atlético a longo prazo. Além disso, a vitamina D intervém de forma indireta na contração muscular ao regular os níveis séricos de cálcio e fósforo, elementos essenciais para a propagação do potencial de ação e para o processo de acoplamento excitação-contração. Um défice desta vitamina pode provocar cãibras, menor coordenação neuromuscular e um aumento da perceção de fadiga.</p>
<p>No período pós-exercício, é igualmente importante considerar o impacto da vitamina D no sistema imunitário. A prática intensa de exercício pode induzir uma janela transitória de imunossupressão, na qual há um maior risco de infeções, especialmente das vias respiratórias. A vitamina D contribui para a manutenção da integridade do sistema imunitário, estimulando a produção de peptídeos antimicrobianos, como a catelicidina, e regulando a resposta das células T. Um estado adequado desta vitamina não só melhora a resistência a infeções como também diminui o tempo de recuperação funcional após treinos intensos ou competições.</p>
<p>A relação entre vitamina D e performance desportiva também se manifesta na prevenção de lesões. Níveis insuficientes estão associados a uma maior incidência de fraturas por stress e de lesões musculares, especialmente em atletas expostos a longos períodos de treino em ambientes fechados ou com baixa exposição solar. Isto deve-se não apenas ao enfraquecimento ósseo resultante da redução na absorção de cálcio e na mineralização óssea, mas também a alterações na capacidade de contração e relaxamento muscular. Por outro lado, níveis ótimos de vitamina D (&gt;30 ng/mL) têm sido associados a maior força, potência e resistência muscular, traduzindo-se em benefícios no desempenho físico e na capacidade de recuperação.</p>
<p>Outro ponto de destaque é a interação da vitamina D com a síntese hormonal. Evidências sugerem que esta vitamina influencia positivamente a produção de hormonas anabólicas, como a testosterona, o que pode potenciar a hipertrofia e os processos de reparação muscular no período pós-exercício. A sua função endócrina e imunomoduladora cria um ambiente interno favorável ao anabolismo e ao crescimento tecidual, facilitando adaptações ao treino de força e resistência.</p>
<p>As principais fontes de vitamina D incluem a síntese cutânea, desencadeada pela exposição solar aos raios solares, e algumas fontes alimentares como peixes gordos (salmão, cavala, sardinha), gema de ovo, fígado e laticínios fortificados. No entanto, a suplementação pode ser necessária em indivíduos com pouca exposição solar, como atletas de desportos indoor, pessoas que vivem em latitudes mais altas ou durante os meses de inverno. A dosagem deve ser orientada por profissionais de saúde de forma a manter uma concentração ideal para a saúde e performance.</p>
<p>Em síntese, a vitamina D desempenha um papel multifacetado no contexto do exercício físico e da recuperação pós-treino. A sua ação integra-se em processos fundamentais como a modulação inflamatória, a função contrátil muscular, o equilíbrio mineral, o suporte imunológico e a regulação hormonal. A deficiência desta vitamina compromete não só o rendimento desportivo, mas também a saúde geral do praticante, aumentando o risco de fadiga, dor muscular prolongada e lesões. Assim, assegurar níveis adequados de vitamina D é uma estratégia indispensável para otimizar a recuperação, acelerar os processos regenerativos e promover adaptações mais eficientes ao treino.</p>
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