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	<title>José Parraça - Revista Grada</title>
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	<description>Noticias de Actualidad sobre Cultura, Ocio, Deporte e Integración en Extremadura</description>
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	<title>José Parraça - Revista Grada</title>
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		<title>Differential walking. Quando caminhar diferente pode ser melhor do que caminhar mais!</title>
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		<dc:creator><![CDATA[José Parraça]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 15 Jul 2026 02:05:42 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Durante décadas a prescrição de exercício para populações especiais assentou numa lógica simples: “repetir movimentos corretos até que o organismo os automatize”. No entanto, os avanços das neurociências e da aprendizagem motora têm vindo a desafiar esta visão tradicional. Hoje sabemos que o cérebro aprende melhor quando é confrontado com variabilidade, imprevisibilidade e necessidade constante [&#8230;]</p>
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<p>É neste contexto que surge o conceito de ‘differential walking’, ou caminhada diferencial. A ideia é aparentemente simples e consiste em introduzir pequenas alterações durante a caminhada, obrigando o sistema nervoso a encontrar continuamente novas soluções motoras. Em vez de caminhar sempre da mesma forma, a pessoa é estimulada a variar o comprimento da passada, a velocidade, a direção do olhar, a posição dos braços, o ritmo ou mesmo o tipo de superfície onde caminha. Embora possa parecer uma simples brincadeira, esta estratégia representa um poderoso estímulo para o cérebro.</p>
<p>Cada pequena alteração gera um novo desafio neuromotor. O sistema nervoso deixa de funcionar em piloto automático e passa a processar informação, antecipar movimentos, corrigir erros e adaptar-se constantemente ao ambiente. Este fenómeno aumenta a estimulação cortical, favorece a plasticidade neuronal e promove uma maior integração entre sistemas motores, sensoriais e cognitivos.</p>
<p>Nas pessoas com doença de Parkinson, por exemplo, a rigidez motora e a dificuldade em iniciar ou ajustar os movimentos constituem alguns dos principais problemas funcionais. A introdução de variações durante a marcha parece estimular mecanismos alternativos de controlo motor, reduzindo episódios de bloqueio e melhorando a adaptação a situações inesperadas do quotidiano. Na esclerose múltipla, onde coexistem frequentemente fadiga, alterações do equilíbrio e dificuldades de coordenação, a caminhada diferencial pode funcionar como um treino simultâneo da mobilidade e das capacidades cognitivas, promovendo uma maior autonomia funcional.</p>
<p>Na fibromialgia, uma condição frequentemente associada a alterações do processamento sensorial, fadiga e dificuldades cognitivas conhecidas como ‘fibro fog’, os estímulos variáveis parecem aumentar o envolvimento da atenção durante o exercício, reduzindo a monotonia e promovendo uma maior participação nas sessões de atividade física.</p>
<p>Também nas pessoas com doença de Alzheimer ou com défice cognitivo ligeiro, a combinação de movimento e tomada de decisão contínua constitui uma forma interessante de estimulação cerebral. Ao obrigar o indivíduo a adaptar constantemente o seu padrão de marcha, potencia-se simultaneamente a função motora e cognitiva.</p>
<p>Mesmo na depressão, onde frequentemente se observa diminuição da atividade física, isolamento social e redução dos estímulos ambientais, a caminhada diferencial pode introduzir um elemento de novidade e desafio que aumenta o envolvimento emocional com a prática de exercício.</p>
<p>Mas os benefícios poderão não ficar limitados às populações clínicas. No desporto de rendimento, a variabilidade tem vindo a assumir um papel cada vez mais relevante no treino moderno. Um atleta que aprende a adaptar-se continuamente a diferentes estímulos torna-se geralmente mais resiliente, mais criativo e mais eficaz perante situações inesperadas de competição.</p>
<p>A aplicação dos princípios do ‘differential walking’ pode, por exemplo, enriquecer o treino de corredores, futebolistas ou atletas de modalidades coletivas através da introdução de percursos variáveis, alterações de ritmo, mudanças de direção e desafios cognitivos associados à locomoção.</p>
<p>Em vez de procurar a repetição perfeita, procura-se desenvolver a capacidade de adaptação. Talvez o futuro da atividade física não passe apenas por caminhar mais, mas por caminhar de forma mais inteligente. Porque, em muitos casos, a saúde não depende apenas da quantidade de movimento que realizamos, mas também da riqueza dos desafios que oferecemos ao nosso cérebro enquanto nos movemos.</p>
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		<title>‘Reforma ativa’. Envelhecer não pode significar parar</title>
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		<dc:creator><![CDATA[José Parraça]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 15 Jun 2026 02:09:20 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Colaboradores]]></category>
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		<category><![CDATA[Carolina Cabo]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Portugal envelhece. A frase já se tornou habitual, repetida em relatórios, debates políticos e notícias televisivas. Contudo, por trás dos números existe uma realidade muito mais profunda: envelhecer não significa apenas viver mais anos, significa sobretudo perceber como queremos viver esses anos. E é precisamente aqui que surge uma questão central da atualidade: estaremos a [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<img decoding="async" width="1376" height="768" src="https://www.grada.es/wp-content/uploads/2026/06/52_212_secciones_afronteira.jpg" class="attachment-full size-full wp-post-image" alt="‘Reforma ativa’. Envelhecer não pode significar parar" style="float:right; margin:0 0 10px 10px;" srcset="https://www.grada.es/wp-content/uploads/2026/06/52_212_secciones_afronteira.jpg 1376w, https://www.grada.es/wp-content/uploads/2026/06/52_212_secciones_afronteira-300x167.jpg 300w, https://www.grada.es/wp-content/uploads/2026/06/52_212_secciones_afronteira-1024x572.jpg 1024w, https://www.grada.es/wp-content/uploads/2026/06/52_212_secciones_afronteira-768x429.jpg 768w, https://www.grada.es/wp-content/uploads/2026/06/52_212_secciones_afronteira-600x335.jpg 600w" sizes="(max-width: 1376px) 100vw, 1376px" /><p>Portugal envelhece. A frase já se tornou habitual, repetida em relatórios, debates políticos e notícias televisivas. Contudo, por trás dos números existe uma realidade muito mais profunda: envelhecer não significa apenas viver mais anos, significa sobretudo perceber como queremos viver esses anos. E é precisamente aqui que surge uma questão central da atualidade: estaremos a preparar as pessoas para envelhecer com autonomia, movimento, prazer e qualidade de vida?</p>
<p>Durante décadas o envelhecimento foi quase exclusivamente associado à perda. Perda de força, de mobilidade, de equilíbrio, de independência e, muitas vezes, de participação social. Infelizmente, ainda persistem modelos de intervenção demasiado passivos, centrados apenas na doença ou na limitação funcional. Porém, a ciência tem demonstrado algo diferente: o envelhecimento não precisa de ser sinónimo de inatividade. Foi precisamente desta necessidade de mudança que nasceu o projeto ‘Reforma ativa’, desenvolvido no âmbito de uma tese de doutoramento da Universidade de Évora, centrada nos efeitos da aplicação de um programa de treino sensório-motor em adultos entre os 55 e os 80 anos.</p>
<p>O nome do projeto não foi escolhido ao acaso. A palavra ‘reforma’ é frequentemente associada ao fim de uma etapa. Contudo, talvez seja precisamente o contrário. Talvez a reforma deva representar o início de uma nova fase da vida: mais tempo para cuidar da saúde, para recuperar capacidades esquecidas, para criar rotinas ativas e para reencontrar prazer no movimento.</p>
<p>A investigação demonstrou algo particularmente relevante: pequenas intervenções estruturadas, realizadas de forma consistente e adaptadas às capacidades individuais, podem produzir melhorias muito significativas na força muscular, equilíbrio, controlo postural, flexibilidade, mobilidade funcional e qualidade de vida.</p>
<p>O programa proposto no projeto ‘Reforma ativa’ inspira-se em abordagens contemporâneas de envelhecimento ativo e prevenção funcional, integrando exercícios sensório motores, estimulação cognitiva associada ao movimento e estratégias de promoção da autonomia diária. Mais do que um simples plano de exercício físico, trata-se de uma intervenção multidimensional, centrada na pessoa e nas suas necessidades reais. E esta abordagem faz hoje mais sentido do que nunca. Grande parte da população adulta chega à pré-reforma após décadas marcadas por rotinas sedentárias, longos períodos sentados, ausência de atividade física regular e elevados níveis de desgaste psicológico. O problema é que o corpo cobra essa fatura e a perda progressiva de massa muscular, o medo de cair, a diminuição da confiança motora e o isolamento social acabam por acelerar o declínio funcional.</p>
<p>O mais preocupante é que este processo nem sempre é valorizado enquanto problema de saúde pública. Continuamos a investir milhões no tratamento das consequências do envelhecimento, mas ainda investimos pouco na prevenção através do movimento. Ora, prevenir não significa apenas aumentar anos de vida, significa aumentar anos de vida com qualidade.</p>
<p>Ao longo do projeto ‘Reforma ativa’ verificou-se algo muito interessante: os benefícios ultrapassavam claramente a componente física. Muitos participantes relataram melhorias no humor, na disposição diária, na autoestima, no prazer em sair de casa e até nas relações sociais. Isto demonstra que o exercício físico, sobretudo em contexto comunitário, é também uma ferramenta emocional e social.</p>
<p>A implementação do projeto ‘Reforma ativa’ baseia-se numa intervenção prática e progressiva, organizada através de sessões estruturadas de treino sensório-motor realizadas duas vezes por semana. As sessões incluem exercícios de equilíbrio estático e dinâmico, coordenação motora, mobilidade articular, fortalecimento muscular funcional, controlo postural e tarefas que associam movimento e estimulação cognitiva. Em muitos momentos, os participantes são desafiados a executar movimentos enquanto realizam tarefas de atenção, memória ou reação, promovendo simultaneamente o trabalho físico e cognitivo.</p>
<p>Os treinos foram adaptados às capacidades individuais de cada participante, respeitando limitações funcionais, níveis de condição física e historial de saúde. A progressão dos exercícios foi realizada de forma gradual, permitindo aumentar a complexidade motora e a exigência funcional ao longo do programa. Esta abordagem procura não apenas melhorar capacidades físicas isoladas, mas também transferir ganhos para as atividades do quotidiano, como caminhar, subir escadas, recuperar o equilíbrio ou levantar-se de uma cadeira com maior segurança e autonomia.</p>
<p>A intervenção procurou reproduzir padrões de movimento próximos das exigências do quotidiano, permitindo aos participantes melhorar competências necessárias para tarefas como mudar de direção durante a marcha, recuperar desequilíbrios, transportar objetos, levantar-se do chão ou reagir a obstáculos inesperados.</p>
<p>Para avaliar os efeitos da intervenção foram realizadas avaliações funcionais antes e após o programa, incluindo testes de equilíbrio, mobilidade, força dos membros inferiores, velocidade de marcha, flexibilidade e resistência física. Paralelamente, foram considerados indicadores relacionados com qualidade de vida, perceção de saúde, confiança no movimento e autonomia funcional. Esta metodologia permitiu observar não apenas alterações físicas, mas também mudanças na motivação, na autoconfiança e na participação social dos participantes.</p>
<p>Outro elemento importante do projeto foi a componente educativa associada às sessões. Ao longo da intervenção, os participantes receberam informação sobre envelhecimento saudável, importância do movimento regular, estratégias para manter estilos de vida mais ativos fora do contexto do treino e risco de quedas.</p>
<p>A prevenção de quedas constituiu igualmente um dos focos centrais da intervenção, considerando que alterações no equilíbrio, tempo de reação e força muscular representam fatores determinantes para a perda de autonomia em adultos mais velhos. Desta forma, o programa procurou criar hábitos sustentáveis e não apenas benefícios temporários.</p>
<p>Por vezes esquecemo-nos de que o envelhecimento não acontece apenas nos músculos ou nas articulações. O envelhecimento acontece também na motivação, na confiança e no sentimento de utilidade social. Programas desta natureza ajudam precisamente a combater essa perda invisível.</p>
<p>A transição para a reforma representa frequentemente uma alteração significativa nas rotinas, participação social e perceção de utilidade pessoal. Neste sentido, programas estruturados de atividade física podem assumir também um papel relevante na promoção do bem-estar psicológico e da integração social. A componente de grupo das sessões favoreceu a motivação, o compromisso com a prática regular e o desenvolvimento de relações interpessoais positivas entre os participantes.</p>
<p>Outro aspeto particularmente inovador do projeto foi a integração de tecnologias acessíveis, incluindo aplicações móveis e sensores associados à análise da marcha e do equilíbrio. Isto demonstra que a tecnologia não tem obrigatoriamente de afastar os adultos mais velhos, pelo contrário, quando utilizada de forma simples e adaptada, pode aproximar, monitorizar e apoiar intervenções comunitárias de enorme relevância.</p>
<p>Talvez uma das grandes mensagens deste trabalho seja precisamente esta: o envelhecimento saudável não depende apenas dos hospitais, dos medicamentos ou das consultas médicas. Depende também das autarquias, dos técnicos de exercício, das universidades, das associações locais e das políticas públicas capazes de criar oportunidades reais de participação ativa.</p>
<p>Portugal necessita urgentemente de programas estruturados de envelhecimento ativo implementados nos municípios, nos centros comunitários e nos serviços de saúde, que não funcionem apenas como atividades ocasionais, mas como estratégias permanentes de saúde pública, porque envelhecer com qualidade não pode ser um privilégio de alguns, deve ser um direito de todos.</p>
<p>O futuro demográfico do país já começou, e a verdadeira questão é perceber se queremos uma população mais velha dependente e isolada ou uma população mais velha ativa, funcional e socialmente integrada. A resposta talvez esteja em algo muito simples: continuar a mover o corpo para continuar a mover a vida. Mais do que aumentar anos de vida, importa garantir anos com movimento, autonomia, participação e qualidade. Projetos como o ‘Reforma ativa’ demonstram que o envelhecimento pode ser acompanhado de adaptação, capacidade funcional e envolvimento ativo na comunidade.</p>
<p><strong>José Parraça &amp; Carolina Cabo</strong></p>
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		<title>Quando a ginástica acrobática inclui todos. Mais do que um campeonato, uma lição de humanidade</title>
		<link>https://www.grada.es/quando-a-ginastica-acrobatica-inclui-todos-mais-do-que-um-campeonato-uma-licao-de-humanidade/revista-grada/primera-fila/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Redacción]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 15 May 2026 03:24:28 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[José Parraça]]></category>
		<category><![CDATA[Primera Fila]]></category>
		<category><![CDATA[Cercibeja]]></category>
		<category><![CDATA[Deporte adaptado]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Num mesmo praticável, corpos diferentes desenham movimentos semelhantes. Uns com limitações visíveis, outros sem elas. Mas naquele momento, não há diferença, há apenas confiança, ritmo e uma linguagem comum: a ginástica. A ginástica acrobática é, por natureza, uma modalidade de interdependência. Não há execução sem confiança, não há equilíbrio sem o outro. Bases e volantes [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<img decoding="async" width="1544" height="955" src="https://www.grada.es/wp-content/uploads/2026/05/32_211_primerafila_gimnasia1.jpg" class="attachment-full size-full wp-post-image" alt="Quando a ginástica acrobática inclui todos. Mais do que um campeonato, uma lição de humanidade" style="float:right; margin:0 0 10px 10px;" srcset="https://www.grada.es/wp-content/uploads/2026/05/32_211_primerafila_gimnasia1.jpg 1544w, https://www.grada.es/wp-content/uploads/2026/05/32_211_primerafila_gimnasia1-300x186.jpg 300w, https://www.grada.es/wp-content/uploads/2026/05/32_211_primerafila_gimnasia1-1024x633.jpg 1024w, https://www.grada.es/wp-content/uploads/2026/05/32_211_primerafila_gimnasia1-768x475.jpg 768w, https://www.grada.es/wp-content/uploads/2026/05/32_211_primerafila_gimnasia1-1536x950.jpg 1536w, https://www.grada.es/wp-content/uploads/2026/05/32_211_primerafila_gimnasia1-600x371.jpg 600w, https://www.grada.es/wp-content/uploads/2026/05/32_211_primerafila_gimnasia1-264x163-264x163.jpg 264w" sizes="(max-width: 1544px) 100vw, 1544px" /><p>Num mesmo praticável, corpos diferentes desenham movimentos semelhantes. Uns com limitações visíveis, outros sem elas. Mas naquele momento, não há diferença, há apenas confiança, ritmo e uma linguagem comum: a ginástica.</p>
<p>A ginástica acrobática é, por natureza, uma modalidade de interdependência. Não há execução sem confiança, não há equilíbrio sem o outro. Bases e volantes constroem, em conjunto, uma coreografia onde a força, a coordenação e a precisão técnica se fundem com uma dimensão relacional profunda. No entanto, quando a esta lógica se junta a acrobática adaptada, o que está em jogo ultrapassa claramente o domínio do desempenho desportivo. A acrobática adaptada surge como uma expressão concreta de inclusão no desporto, integrando atletas com diferentes tipos de deficiência (motora, intelectual ou sensorial) muitas vezes em pares mistos com ginastas sem deficiência. Mais do que adaptar exercícios, trata-se de adaptar olhares. E isso implica repensar conceitos tradicionais de rendimento, sucesso e até mesmo de perfeição técnica.</p>
<p>A evidência tem vindo a mostrar que o desporto inclusivo produz benefícios que vão muito além da componente física, estendendo-se ao plano psicológico e social. A melhoria da autoestima, o reforço do sentimento de pertença e a construção de relações significativas são apenas algumas das dimensões habitualmente destacadas. Ainda assim, há algo que a teoria dificilmente consegue captar na sua totalidade: a densidade humana que emerge no terreno. E foi precisamente aí, no contexto competitivo de um campeonato onde coexistiam provas de ginástica acrobática e acrobática adaptada, que essa realidade se tornou particularmente evidente.</p>
<p>Depois de um dia inteiro de competição com pares, trios, esquemas femininos, masculinos e mistos, a jornada não terminava com a última classificação. Havia ainda um outro momento, colocado no final do programa, mas que, pela sua natureza, acabava por recentrar tudo aquilo que tinha sido vivido até então. A ginástica acrobática adaptada não surgia como complemento, mas como extensão natural de um mesmo espaço competitivo.</p>
<p>Do ponto de vista da organização, esse caminho não tem sido imediato nem isento de dificuldades. Sandra Rodrigues, uma das responsáveis pelo evento, reconhece que este foi já o terceiro ano de realização, mas que o processo continua em construção. Há questões que persistem e que exigem resposta, sendo a mais evidente a da avaliação. “Os nossos juízes, infelizmente, não estão totalmente preparados para ajuizar este tipo de competição”, admite, com a frontalidade de quem não procura esconder as fragilidades, mas antes assumi-las como parte do processo.</p>
<p>Ainda assim, essa limitação não compromete a convicção. Pelo contrário, reforça-a. A parceria com a Cercibeja e o compromisso com esta vertente mantêm-se como pilares fundamentais do evento. “É um torneio que queremos manter sempre. É muito importante”, afirma, deixando claro que a inclusão, neste contexto, não é circunstancial, mas intencional.</p>
<p>E aquilo que sustenta essa intenção não é apenas a estrutura organizativa, mas sobretudo aquilo que acontece entre os participantes. “Os nossos ginastas, com e sem deficiência, criam aqui laços, tornam-se amigos e apoiam-se uns aos outros”, refere, sublinhando uma dimensão que ultrapassa o plano competitivo. Há convivência, há partilha, há reconhecimento mútuo. “O giro disto é eles conviverem e mostrarem as suas capacidades”, acrescenta, numa frase que traduz de forma simples aquilo que, na prática, se revela profundamente transformador.</p>
<figure id="attachment_240980" aria-describedby="caption-attachment-240980" style="width: 800px" class="wp-caption aligncenter"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-240980" src="https://www.grada.es/wp-content/uploads/2026/05/32_211_primerafila_gimnasia2.jpg" alt="Quando a ginástica acrobática inclui todos. Mais do que um campeonato, uma lição de humanidade" width="800" height="603" srcset="https://www.grada.es/wp-content/uploads/2026/05/32_211_primerafila_gimnasia2.jpg 1466w, https://www.grada.es/wp-content/uploads/2026/05/32_211_primerafila_gimnasia2-300x226.jpg 300w, https://www.grada.es/wp-content/uploads/2026/05/32_211_primerafila_gimnasia2-1024x772.jpg 1024w, https://www.grada.es/wp-content/uploads/2026/05/32_211_primerafila_gimnasia2-768x579.jpg 768w, https://www.grada.es/wp-content/uploads/2026/05/32_211_primerafila_gimnasia2-600x452.jpg 600w" sizes="(max-width: 800px) 100vw, 800px" /><figcaption id="caption-attachment-240980" class="wp-caption-text">Foto: Cedida</figcaption></figure>
<p>Essa transformação não se esgota no momento competitivo. Prolonga-se no tempo e nos contextos de vida. “Eles estão muito mais abertos a este tipo de questões”, observa, referindo-se aos jovens ginastas sem deficiência, que, através desta experiência, passam a olhar de forma diferente para os outros. “Na escola e na sociedade acabam por ser embaixadores da inclusão”, afirma, identificando um efeito multiplicador que começa no praticável, mas não termina nele.</p>
<p>Se a organização reconhece o caminho e os seus desafios, é na voz de quem avalia que esses desafios ganham contornos ainda mais concretos. Carina Soares, juíza árbitra de ginástica acrobática, acompanhou toda a jornada competitiva e chegou a este momento com a experiência acumulada de um dia inteiro de avaliação técnica. Ainda assim, a acrobática adaptada coloca questões distintas, que não se resolvem com a simples aplicação dos mesmos critérios. “É um momento excelente, é a parte da inclusão, todos têm que estar incluídos em qualquer modalidade”, começa por afirmar, reconhecendo a importância do momento. Mas rapidamente introduz a complexidade que lhe está associada. “Temos muito a evoluir na ginástica”, admite, apontando para um caminho que ainda está a ser construído. A dificuldade, como explica, está na própria natureza da diversidade presente. “Cada ser tem a sua autonomia, a sua forma de estar&#8230; é difícil nós conseguirmos comparar cada par, cada grupo”, refere, evidenciando os limites de uma lógica avaliativa baseada na comparação direta. “Eles têm diversidades diferentes, em termos de locomoção, motricidade fina&#8230; especificidades que estão inerentes à patologia”, acrescenta, tentando nomear aquilo que escapa a uma grelha uniforme.</p>
<p>Perante essa realidade, a resposta não pode ser apenas técnica. Exige sensibilidade, conhecimento contextual e proximidade. “Acho que devíamos incluir quem trabalha com eles todos os dias nesta parte do ajuizamento”, sugere, reconhecendo que esses profissionais detêm uma compreensão mais profunda dos atletas. “Eles têm uma maior sensibilidade, conhecem-nos melhor e conseguem transmitir-nos aquilo que nós, que não estamos no dia a dia, não conseguimos perceber da mesma forma”.</p>
<p>E, ainda assim, no meio desta complexidade, há uma palavra que surge com clareza inesperada: privilégio. Avaliar, neste contexto, não é apenas um exercício técnico. “É um privilégio enorme”, afirma, condensando numa expressão simples a consciência de que está perante algo que ultrapassa a própria lógica da avaliação.</p>
<p>É nessa interseção entre exigência e humanidade que se inscreve também o trabalho da Cercibeja. Vera Neca, Presidente do Conselho de Administração, enquadra este momento como o resultado de um percurso longo e consistente. “A Cercibeja trabalha há 48 anos com pessoas com necessidades especiais”, começa por referir, situando o contexto de intervenção da instituição.</p>
<p>Ao longo desse percurso, a lógica tem sido clara: criar oportunidades significativas. “Aquilo que procuramos é proporcionar experiências aos nossos jovens adultos e, quando essas experiências são prazerosas para eles, dar continuidade”, explica. Não se trata de experimentar por experimentar, mas de construir caminhos que façam sentido para quem participa.</p>
<p>Foi nesse enquadramento que surgiu a aproximação à ginástica acrobática adaptada. “Foi uma experiência que fizemos com a Academia de Desporto de Beja”, refere. Uma primeira tentativa, aberta, sem garantias. Mas a resposta dos participantes acabou por orientar o caminho. “Correu bem. Eles aceitam qualquer desafio”, afirma, numa frase que diz tanto sobre os jovens como sobre a própria decisão de avançar.</p>
<p>A experiência transformou-se em prática regular. “Começámos a dar continuidade e a aprofundar a experiência”, acrescenta. E hoje o cenário é claro: “Eles participam e estão super entusiasmados”.</p>
<p>Mas, mais uma vez, não é apenas a participação que importa. É aquilo que dela resulta. “Só quando estamos a observar é que percebemos a relação que está estabelecida entre eles”, sublinha, chamando a atenção para uma dimensão que não se planeia, mas que emerge “Na forma como se entreajudam, como vivem estes momentos em conjunto”.</p>
<p>E é nesse ponto que se define o verdadeiro objetivo. “Tornar estes momentos e estas práticas de todos e para todos”.</p>
<p>Se a instituição constrói o caminho e a organização o operacionaliza, é nas ginastas que esse caminho ganha corpo.</p>
<p>Sofia Ferreira e Tamara Nunes, atletas do Club Acro (Associação Cultural e Recreativa de Ourique) não falam em conceitos. Falam em experiência vivida, com a honestidade de quem não precisa de elaborar para ser compreendido.</p>
<figure id="attachment_240981" aria-describedby="caption-attachment-240981" style="width: 800px" class="wp-caption aligncenter"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-240981" src="https://www.grada.es/wp-content/uploads/2026/05/32_211_primerafila_gimnasia3.jpg" alt="Quando a ginástica acrobática inclui todos. Mais do que um campeonato, uma lição de humanidade" width="800" height="456" srcset="https://www.grada.es/wp-content/uploads/2026/05/32_211_primerafila_gimnasia3.jpg 1933w, https://www.grada.es/wp-content/uploads/2026/05/32_211_primerafila_gimnasia3-300x171.jpg 300w, https://www.grada.es/wp-content/uploads/2026/05/32_211_primerafila_gimnasia3-1024x584.jpg 1024w, https://www.grada.es/wp-content/uploads/2026/05/32_211_primerafila_gimnasia3-768x438.jpg 768w, https://www.grada.es/wp-content/uploads/2026/05/32_211_primerafila_gimnasia3-1536x876.jpg 1536w, https://www.grada.es/wp-content/uploads/2026/05/32_211_primerafila_gimnasia3-600x342.jpg 600w" sizes="(max-width: 800px) 100vw, 800px" /><figcaption id="caption-attachment-240981" class="wp-caption-text">Fotos: Cedidas</figcaption></figure>
<p>E essa experiência, no caso de Tamara, começou com resistência. “No início eu não queria fazer”, admite, de forma direta. A proposta partiu do treinador, Paulo Nunes (seu pai), que lançou o desafio de integrar a vertente adaptada. E apesar de um contexto pessoal marcado por uma experiência difícil no passado, que inicialmente gerava algum receio perante este tipo de realidade, “Estava com medo de começar a fazer com alguém que também tinha essas dificuldades”. Mas acabou por prevalecer a vontade de enfrentar o desafio e crescer com ele. A mudança não foi imediata, mas aconteceu. “Depois percebi que tinha que experimentar coisas novas”, afirma. E essa decisão abriu um novo espaço. “Desde que estou a fazer, estou a adorar. É mesmo bem fixe”.</p>
<p>Os treinos ganharam regularidade (“temos treinos às sextas, das duas e meia às quatro”) mas aquilo que mais marca o discurso não é a estrutura, é a relação. “Sentimos um gosto enorme de trabalhar com eles”, dizem. E essa relação é percebida como recíproca. “Eles ficam muito felizes, muito agradecidos”, acrescentam, referindo-se ao impacto que a inclusão tem nos próprios colegas. “Por ver que nós os incluímos na ginástica, que supostamente é uma coisa muito complicada para esses meninos”, explicam, revelando ao mesmo tempo a desconstrução de uma ideia prévia. “Eu acho que eles gostam muito de nos ter lá e ficam muito agradecidos”.</p>
<p>Mas talvez o impacto mais significativo esteja fora do praticável. “Os nossos amigos ficam com uma visão muito diferente desses meninos”, afirmam, sublinhando a transformação que esta experiência provoca nos pares. “Desperta neles curiosidade em trabalhar com eles também”.</p>
<p>E essa mudança torna-se visível em exemplos concretos. “Nós temos raparigas que não queriam fazer, diziam ‘não, nunca’&#8230; e depois perceberam que é fixe, como eu no início, e agora também gostam muito”.</p>
<p>Aqui, a inclusão deixa de ser discurso. Torna-se experiência partilhada. E, mais do que isso, torna-se contagiosa.</p>
<p>Nos praticáveis, tudo isto se materializa em pequenos gestos. Um ajuste de equilíbrio, um olhar de confirmação, um sorriso no final de uma rotina. Detalhes que passam despercebidos a quem vê de fora, mas que, para quem está dentro, explicam tudo. Talvez o maior ensinamento deste campeonato não esteja nas classificações. Talvez esteja naquilo que nos obriga a repensar o próprio conceito de desempenho.</p>
<p>Porque, no fundo, a maior conquista poderá estar naquilo que Vera Neca sintetizou de forma tão simples quanto poderosa: “que se torne normal que todos possamos estar em todos os espaços”.</p>
<p>No final, quando o praticável fica vazio e o ruído dá lugar ao silêncio, permanece uma certeza difícil de ignorar: a verdadeira acrobática não está apenas nos elementos executados, mas na capacidade de elevar o outro. E essa, talvez, seja a forma mais pura da excelência.</p>
<p><strong>José Alberto Parraça</strong></p>
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		<title>Promoção da atividade física: porque é que as famílias continuam de fora?</title>
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		<dc:creator><![CDATA[José Parraça]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 15 May 2026 03:09:55 +0000</pubDate>
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										<content:encoded><![CDATA[<img loading="lazy" decoding="async" width="1672" height="941" src="https://www.grada.es/wp-content/uploads/2026/05/52_211_secciones_afronteira.jpg" class="attachment-full size-full wp-post-image" alt="Promoção da atividade física: porque é que as famílias continuam de fora?" style="float:right; margin:0 0 10px 10px;" srcset="https://www.grada.es/wp-content/uploads/2026/05/52_211_secciones_afronteira.jpg 1672w, https://www.grada.es/wp-content/uploads/2026/05/52_211_secciones_afronteira-300x169.jpg 300w, https://www.grada.es/wp-content/uploads/2026/05/52_211_secciones_afronteira-1024x576.jpg 1024w, https://www.grada.es/wp-content/uploads/2026/05/52_211_secciones_afronteira-768x432.jpg 768w, https://www.grada.es/wp-content/uploads/2026/05/52_211_secciones_afronteira-1536x864.jpg 1536w, https://www.grada.es/wp-content/uploads/2026/05/52_211_secciones_afronteira-600x338.jpg 600w" sizes="(max-width: 1672px) 100vw, 1672px" /><p>A promoção da atividade física e a redução do comportamento sedentário continuam a assumir um papel central nas agendas contemporâneas de saúde pública, tendo em conta a associação amplamente reconhecida entre níveis insuficientes de atividade física e o aumento da prevalência de doenças crónicas não transmissíveis, como a diabetes, as doenças cardiovasculares e várias perturbações da saúde mental.</p>
<p>Para além das implicações individuais, este problema repercute-se também ao nível dos sistemas de saúde e da organização social, traduzindo-se em maior necessidade de medicação, aumento do absentismo laboral e crescente pressão sobre os serviços de saúde.</p>
<p>Apesar do consenso existente relativamente à importância da prática regular de atividade física, os níveis de sedentarismo mantêm-se elevados. Em Portugal, uma proporção expressiva da população adulta continua sem atingir as recomendações mínimas de atividade física, o que evidencia a insuficiência das estratégias atualmente implementadas e reforça a necessidade de repensar os modelos de intervenção.</p>
<p>De forma recorrente, a literatura e o discurso institucional identificam como principais barreiras à prática a falta de tempo, a baixa motivação, os custos associados e diversas dificuldades logísticas. Embora este diagnóstico esteja amplamente consolidado, subsiste uma dimensão frequentemente subvalorizada nas políticas e programas de promoção da atividade física: o contexto familiar. Grande parte das abordagens existentes continua centrada no indivíduo, assumindo implicitamente que a prática de atividade física depende sobretudo da capacidade pessoal de organização, da gestão do tempo e da responsabilização individual. Contudo, esta perspetiva revela-se limitada face à complexidade das dinâmicas quotidianas. As famílias contemporâneas vivem sob forte pressão temporal, marcadas por rotinas fragmentadas, sobrecarga de tarefas, multiplicidade de papéis e crescente mediação tecnológica, fatores que reduzem significativamente o tempo partilhado e favorecem formas passivas de ocupação do tempo.</p>
<p>Neste enquadramento, a atividade física tende a ser percecionada como uma tarefa adicional a integrar numa rotina já saturada, em vez de ser entendida como uma prática compatível com a organização da vida familiar. É precisamente neste ponto que o modelo predominante parece falhar. As barreiras à prática não podem ser interpretadas apenas como obstáculos individuais; são, em larga medida, condicionadas por fatores estruturais relacionados com a gestão do tempo, a organização das responsabilidades familiares e a ausência de respostas adaptadas aos contextos reais de vida.</p>
<p>Para muitas mães, e também para muitos pais, a prática de exercício físico implica frequentemente uma escolha difícil entre o autocuidado e o acompanhamento dos filhos. A impossibilidade de conciliar estas duas dimensões gera custos consideráveis em termos de tempo, energia e recursos financeiros, contribuindo para o abandono da prática e para a manutenção de estilos de vida sedentários.</p>
<p>Neste sentido, importa reformular a questão de partida. O problema não reside apenas no facto de as pessoas não praticarem exercício físico, mas também no modo como a prática tem sido conceptualizada e organizada socialmente. Quando a atividade física deixa de ser pensada como uma responsabilidade exclusivamente individual e passa a ser encarada como uma prática partilhada, deixa de competir com as exigências da vida quotidiana e passa a integrar-se nela de forma mais funcional e sustentável.</p>
<p>É neste contexto que a atividade física em família emerge como uma possibilidade particularmente relevante, embora ainda insuficientemente explorada. Do ponto de vista logístico, esta abordagem permite articular rotinas e reduzir a complexidade da organização diária. Do ponto de vista económico, pode evitar a duplicação de custos associados à participação em atividades distintas para diferentes elementos do agregado. Contudo, a sua principal mais-valia reside na possibilidade de converter o movimento em tempo de qualidade, promovendo presença, interação e comunicação entre os membros da família.</p>
<p>Acresce que a prática partilhada de atividade física pode gerar benefícios que ultrapassam a dimensão estritamente fisiológica, contribuindo também para o bem-estar emocional, o reforço dos vínculos familiares e a melhoria do funcionamento global da família enquanto sistema relacional. Ainda assim, esta perspetiva permanece pouco integrada nas respostas institucionais existentes.</p>
<p>Torna-se, por isso, necessário desenvolver programas e políticas que incorporem de forma mais explícita a realidade familiar nas estratégias de promoção da atividade física. Tal implica, entre outros aspetos, a criação de programas locais orientados para a participação familiar, a disponibilização de espaços compatíveis com a presença de crianças e a definição de horários ajustados às exigências da vida profissional e doméstica. Mais do que segmentar públicos-alvo, importa reconhecer e integrar os contextos concretos em que a vida quotidiana acontece.</p>
<p>Neste processo, municípios, escolas, clubes e organizações comunitárias assumem um papel determinante. Promover a atividade física não pode continuar a significar a sua dissociação da vida familiar; deve, pelo contrário, traduzir-se na capacidade de a integrar de forma efetiva, no entanto, enquanto persistir um modelo excessivamente centrado no indivíduo, os resultados tenderão a repetir-se: baixa adesão, elevada desistência e manutenção de desigualdades no acesso à prática.</p>
<p>Em suma, a mudança necessária não depende exclusivamente de maior motivação individual, mas de uma transformação conceptual e organizacional das estratégias de promoção da atividade física. Para muitas pessoas, a atividade física em família não constitui apenas uma alternativa desejável, mas a única solução viável no contexto da vida real. Assim, mais do que um problema de vontade, o desafio parece residir na ausência de modelos de intervenção ajustados às condições concretas em que as famílias vivem.</p>
<p><strong>José Parraça &amp; Susana Garradas</strong></p>
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		<title>Análise de Saúde em Portugal (2025): síntese crítica</title>
		<link>https://www.grada.es/analise-de-saude-em-portugal-2025-sintese-critica/blogueros/jose-parraca/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[José Parraça]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 15 Apr 2026 02:11:31 +0000</pubDate>
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										<content:encoded><![CDATA[<img loading="lazy" decoding="async" width="1376" height="768" src="https://www.grada.es/wp-content/uploads/2026/04/50_210_secciones_afronteira.jpg" class="attachment-full size-full wp-post-image" alt="Análise de Saúde em Portugal (2025): síntese crítica" style="float:right; margin:0 0 10px 10px;" srcset="https://www.grada.es/wp-content/uploads/2026/04/50_210_secciones_afronteira.jpg 1376w, https://www.grada.es/wp-content/uploads/2026/04/50_210_secciones_afronteira-300x167.jpg 300w, https://www.grada.es/wp-content/uploads/2026/04/50_210_secciones_afronteira-1024x572.jpg 1024w, https://www.grada.es/wp-content/uploads/2026/04/50_210_secciones_afronteira-768x429.jpg 768w, https://www.grada.es/wp-content/uploads/2026/04/50_210_secciones_afronteira-600x335.jpg 600w" sizes="(max-width: 1376px) 100vw, 1376px" /><p>Com base no relatório ‘Perfil de Saúde do País 2025’ Portugal apresenta um quadro globalmente favorável da saúde da população portuguesa, embora marcado por fragilidades estruturais persistentes. Em 2024, a esperança de vida à nascença atingiu 82,7 anos, ultrapassando a média da União Europeia e superando os níveis pré-pandemia. Contudo, este ganho quantitativo não se traduz plenamente em anos vividos com boa saúde, já que apenas 54% da população com 16 ou mais anos refere ter boa ou muito boa saúde, valor claramente inferior à média europeia. Esta perceção é ainda mais desfavorável entre as mulheres e os grupos com menores rendimentos, evidenciando desigualdades sociais relevantes no estado de saúde.</p>
<p>O perfil epidemiológico português continua a ser dominado pelas doenças cardiovasculares e pelo cancro, que, em conjunto, representam cerca de 48% dos óbitos. Ainda assim, o relatório assinala progressos importantes, nomeadamente a redução da mortalidade por acidente vascular cerebral e o regresso das taxas de mortalidade evitável e tratável à trajetória anterior à pandemia. Estes dados sugerem uma capacidade razoável do sistema de saúde para responder a problemas clínicos de maior dimensão, embora persistam áreas com margem de melhoria.</p>
<p>O envelhecimento demográfico constitui um dos principais desafios identificados. Portugal é um dos países mais envelhecidos da União Europeia, com uma elevada proporção de pessoas com 65 ou mais anos e uma tendência de agravamento nas próximas décadas. O problema não reside apenas no aumento da longevidade, mas também no facto de muitos desses anos adicionais serem vividos com doença crónica, limitação funcional e maior necessidade de cuidados. O relatório destaca, por isso, a necessidade de reforçar políticas de envelhecimento ativo e saudável, bem como de reorganizar a resposta dos cuidados de saúde e dos cuidados continuados.</p>
<p>No que respeita aos fatores de risco, Portugal apresenta uma situação mista. A prevalência do tabagismo permanece abaixo da média da União Europeia, mas os progressos abrandaram. Em contrapartida, o consumo de álcool continua elevado e a obesidade mantém-se ligeiramente acima da média europeia. Mais preocupante ainda é a forte associação entre obesidade e desigualdade educativa, o que confirma o peso dos determinantes sociais da saúde no contexto português. Assim, apesar de alguns indicadores favoráveis, os comportamentos de risco continuam a contribuir de forma importante para a carga de doença.</p>
<p>No plano financeiro, a despesa em saúde por habitante permanece abaixo da média da União Europeia. Em 2023, Portugal gastou 3.001 euros per capita, valor inferior ao europeu, embora a despesa total em saúde em percentagem do PIB esteja alinhada com a média da União Europeia. O dado mais crítico prende-se com a estrutura de financiamento: apenas 62% da despesa é assegurada por fundos públicos, ao passo que os pagamentos diretos das famílias atingem 29%, um dos valores mais elevados da União Europeia.</p>
<p>Este padrão traduz uma proteção financeira limitada e ajuda a explicar as dificuldades de acesso sentidas por parte da população. Uma parte significativa da população continua a enfrentar necessidades médicas e, sobretudo, dentárias não satisfeitas, devido a custos, distância geográfica ou tempos de espera. Estas dificuldades são substancialmente mais frequentes entre as pessoas em risco de pobreza, o que reforça o caráter socialmente desigual do acesso aos cuidados. Paralelamente, a pressão sobre os recursos humanos é apontada como uma vulnerabilidade central do sistema, sendo referidos o envelhecimento dos profissionais, as cargas de trabalho elevadas e a insuficiência de médicos de família.</p>
<p>Apesar destas limitações, o relatório do ‘Perfil de Saúde do País 2025’ reconhece pontos fortes no sistema de saúde português, designadamente bons resultados em alguns indicadores de eficácia clínica e um grau de maturidade digital acima da média europeia. Portugal surge como um sistema capaz de gerar resultados relevantes, mas confrontado com tensões estruturais que exigem reformas orientadas para a equidade, a sustentabilidade financeira e a capacidade de resposta.</p>
<p>Posto isto, o principal desafio para Portugal não é apenas viver mais, mas garantir que esses anos adicionais sejam vividos com melhor saúde, maior proteção social e acesso mais justo aos cuidados.</p>
<p><strong>José Alberto Parraça &amp; Vanda Lapão Silva</strong></p>
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		<title>O impacto da atividade física na saúde pública: pequenos passos, grandes ganhos</title>
		<link>https://www.grada.es/o-impacto-da-atividade-fisica-na-saude-publica-pequenos-passos-grandes-ganhos/blogueros/jose-parraca/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[José Parraça]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 15 Mar 2026 03:12:43 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Colaboradores]]></category>
		<category><![CDATA[José Parraça]]></category>
		<category><![CDATA[atividade física]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>A promoção da atividade física e a redução do comportamento sedentário continuam a ocupar um lugar central nas estratégias globais de saúde pública. Apesar de décadas de evidência científica sobre os benefícios da atividade física para a saúde e longevidade, permanece um desafio fundamental: quantificar, de forma robusta e compreensível para os decisores políticos, o [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<img loading="lazy" decoding="async" width="1368" height="768" src="https://www.grada.es/wp-content/uploads/2026/03/50_209_secciones_afronteirab.jpg" class="attachment-full size-full wp-post-image" alt="O impacto da atividade física na saúde pública: pequenos passos, grandes ganhos" style="float:right; margin:0 0 10px 10px;" srcset="https://www.grada.es/wp-content/uploads/2026/03/50_209_secciones_afronteirab.jpg 1368w, https://www.grada.es/wp-content/uploads/2026/03/50_209_secciones_afronteirab-300x168.jpg 300w, https://www.grada.es/wp-content/uploads/2026/03/50_209_secciones_afronteirab-1024x575.jpg 1024w, https://www.grada.es/wp-content/uploads/2026/03/50_209_secciones_afronteirab-768x431.jpg 768w, https://www.grada.es/wp-content/uploads/2026/03/50_209_secciones_afronteirab-600x337.jpg 600w" sizes="(max-width: 1368px) 100vw, 1368px" /><p>A promoção da atividade física e a redução do comportamento sedentário continuam a ocupar um lugar central nas estratégias globais de saúde pública. Apesar de décadas de evidência científica sobre os benefícios da atividade física para a saúde e longevidade, permanece um desafio fundamental: quantificar, de forma robusta e compreensível para os decisores políticos, o impacto real que pequenas mudanças comportamentais podem ter ao nível populacional.</p>
<p>Estudos recentes, baseados em dados objetivos de acelerometria recolhidos em mais de 40.000 adultos de diferentes países, permitem estimar com elevada precisão o potencial de mortes evitáveis associado à redução do sedentarismo e ao aumento da atividade física de diferentes intensidades. Esta abordagem representa um avanço metodológico relevante face aos estudos baseados em autorrelato, frequentemente sujeitos a viés de memória e de desejabilidade social. Os resultados são simultaneamente impressionantes e pragmáticos: demonstram que aumentos modestos de atividade física, por exemplo, mais 10 minutos diários de atividade física moderada a vigorosa, podem traduzir-se numa redução substancial da mortalidade anual, sobretudo quando integrados em estratégias de intervenção de base populacional. Do mesmo modo, reduções relativamente pequenas do tempo sedentário ou incrementos na atividade física ligeira revelam efeitos protetores significativos, reforçando a ideia de que a saúde não depende exclusivamente de exercício estruturado ou de elevada intensidade.</p>
<p>Estas evidências têm implicações profundas para a formulação de políticas públicas. Em primeiro lugar, deslocam o foco de intervenções excessivamente centradas no exercício formal para abordagens mais inclusivas, realistas e adaptadas à diversidade funcional da população. Promover pausas ativas, incentivar a mobilidade no quotidiano ou reduzir o tempo prolongado em posição sentada surge como uma estratégia viável, equitativa e com impacto mensurável na saúde geral. Em segundo lugar, clarifica-se o debate entre estratégias dirigidas a grupos de alto risco e abordagens universais. Embora intervenções focadas nos indivíduos menos ativos apresentem benefícios relevantes, os dados sugerem que intervenções populacionais mais amplas podem gerar ganhos absolutos superiores em termos de mortes evitadas. Esta constatação reforça o princípio clássico da prevenção populacional: pequenas melhorias distribuídas por muitos indivíduos podem produzir efeitos globais mais expressivos do que grandes mudanças em poucos.</p>
<p>Não obstante, devem também ser sublinhadas limitações importantes que merecem reflexão. A magnitude do impacto atribuído à atividade física moderada a vigorosa varia consoante os pressupostos metodológicos, nomeadamente no que respeita à capacidade funcional dos participantes e aos métodos de quantificação da intensidade da atividade. Estas diferenças não invalidam os resultados globais, mas alertam para a necessidade de maior padronização e validação dos métodos baseados em acelerometria, sobretudo quando os dados são utilizados para informar políticas de saúde pública. Quando existem metodologias capazes de quantificar, de forma objetiva, o número potencial de mortes evitáveis através de alterações comportamentais alcançáveis, criam-se bases científicas sólidas para a tomada de decisão. Mais do que reforçar a mensagem de que “a atividade física faz bem”, importa traduzir essa evidência em métricas compreensíveis, acionáveis e politicamente relevantes.</p>
<p>Urge, por isso, destacar a importância de uma mudança de paradigma: da prescrição idealizada de exercício para a promoção sistemática do movimento ao longo do dia. Pequenos passos, quando adotados por muitos, podem gerar grandes ganhos em saúde pública. As evidências apresentadas reforçam que investir na redução do sedentarismo e no aumento da atividade física, em todas as suas formas, não é apenas desejável, é uma das intervenções mais eficazes e custo-efetivas ao alcance das sociedades contemporâneas.</p>
<p><strong>José Alberto Parraça &amp; João André Barradas</strong></p>
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		<title>A neve não é o único adversário dos desportos de inverno</title>
		<link>https://www.grada.es/a-neve-nao-e-o-unico-adversario-dos-desportos-de-inverno/revista-grada/colaboradores/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[José Parraça]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 13 Feb 2026 03:12:19 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Colaboradores]]></category>
		<category><![CDATA[José Parraça]]></category>
		<category><![CDATA[desportos de inverno]]></category>
		<category><![CDATA[disponibilidade de oxigénio]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Os desportos de inverno exercem um fascínio particular: a montanha, o silêncio da neve, a velocidade do esqui, a exigência do snowboard ou a resistência do ski de fundo. No entanto, por detrás da estética e da adrenalina, existe um contexto fisiológico muito específico, marcado por dois grandes desafios ao organismo humano: a altitude e [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<img loading="lazy" decoding="async" width="2190" height="1250" src="https://www.grada.es/wp-content/uploads/2026/02/50_208_secciones_afronteira.gif" class="attachment-full size-full wp-post-image" alt="A neve não é o único adversário dos desportos de inverno" style="float:right; margin:0 0 10px 10px;" /><p>Os desportos de inverno exercem um fascínio particular: a montanha, o silêncio da neve, a velocidade do esqui, a exigência do snowboard ou a resistência do ski de fundo. No entanto, por detrás da estética e da adrenalina, existe um contexto fisiológico muito específico, marcado por dois grandes desafios ao organismo humano: a altitude e o frio.</p>
<p>Ao contrário de muitas modalidades praticadas ao nível do mar, os desportos de inverno decorrem frequentemente entre os 1.500 e os 3.000 metros de altitude, um ambiente onde a disponibilidade de oxigénio é menor e onde o corpo é obrigado a adaptar-se rapidamente.</p>
<p>À medida que a altitude aumenta, a pressão parcial de oxigénio diminui, o que significa que, mesmo respirando normalmente, chega menos oxigénio aos pulmões e, consequentemente, ao sangue. Este fenómeno reflete-se de forma quase imediata na saturação periférica de oxigénio (SatO₂), que tende a baixar, especialmente em indivíduos não aclimatados.</p>
<p>Para compensar esta menor disponibilidade de oxigénio, o organismo recorre a uma estratégia eficaz: aumentar a frequência cardíaca (FC). O coração bate mais vezes por minuto para tentar garantir que os tecidos continuam a receber oxigénio suficiente. É por isso comum que um esforço considerado ‘moderado’ ao nível do mar provoque, em altitude, valores de FC surpreendentemente elevados.</p>
<p>Nos desportos de inverno, esta resposta é ainda mais relevante, uma vez que muitos deles envolvem esforços intermitentes de alta intensidade, mudanças rápidas de direção e contrações musculares prolongadas, sobretudo dos membros inferiores.</p>
<p>Se a altitude já coloca desafios significativos, o frio acrescenta uma camada extra de complexidade. Em ambientes frios, o corpo ativa mecanismos de vasoconstrição periférica, reduzindo o fluxo sanguíneo da pele com o objetivo de preservar a temperatura central, e este ajuste tem implicações fisiológicas como o aumenta a resistência vascular periférica, o aumento da pressão arterial e como tal, obriga o coração a trabalhar contra uma maior resistência.</p>
<p>Em simultâneo, o frio pode induzir uma sensação enganadora de menor fadiga, levando o praticante a subestimar o esforço real que está a realizar. O resultado é uma combinação potencialmente exigente com a FC elevada, a SatO₂ reduzida e perceção subjetiva de esforço relativamente baixa.</p>
<p>A monitorização da frequência cardíaca e da saturação de oxigénio assume, neste contexto, um papel fundamental. Valores persistentemente elevados de FC, associados a quedas acentuadas da SatO₂, podem ser sinais de falta de aclimatação à altitude, fadiga excessiva e pode aumentar o risco de outros sintomas como tonturas, cefaleias ou náuseas.</p>
<p>Nos praticantes recreativos, estes sinais são frequentemente ignorados ou atribuídos apenas ao ‘cansaço normal’. No entanto, em indivíduos menos treinados, mais velhos ou com fatores de risco cardiovasculares, esta combinação pode representar um elevado stress fisiológico.</p>
<p>Uma boa adaptação aos desportos de inverno passa por princípios simples, mas muitas vezes esquecidos, tais como subir de altitude de forma progressiva, sempre que possível; evitar esforços máximos nos primeiros dias; garantir hidratação adequada (o frio aumenta as perdas hídricas, apesar de reduzir a sensação de sede); respeitar sinais do corpo, sobretudo alterações marcadas da FC e sintomas associados à hipoxia.</p>
<p>Do ponto de vista do treino e da saúde, os desportos de inverno são uma excelente oportunidade para estimular capacidades cardiovasculares e neuromusculares, mas exigem consciência fisiológica e respeito pelo ambiente.</p>
<p>Praticar desportos de inverno é muito mais do que deslizar sobre a neve. É expor o corpo a um contexto onde menos oxigénio e mais frio desafiam o coração, os pulmões e os músculos de forma integrada. Compreender a relação entre altitude, frio, frequência cardíaca e saturação de oxigénio permite não só melhorar o desempenho, mas sobretudo praticar com mais segurança e prazer.</p>
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		<title>Do prato à reserva: o que acontece aos açúcares depois das festas?</title>
		<link>https://www.grada.es/do-prato-a-reserva-o-que-acontece-aos-acucares-depois-das-festas/blogueros/jose-parraca/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[José Parraça]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 15 Jan 2026 03:12:42 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Colaboradores]]></category>
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		<category><![CDATA[açúcares]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>O Natal e a Passagem de Ano são, para muitos de nós, um tempo de suspensão das rotinas, suspendem-se horários e, quase sempre, suspendem-se também algumas regras alimentares. À mesa, multiplicam-se os doces, as sobremesas tradicionais, os chocolates e as bebidas alcoólicas geralmente acompanham conversas longas e reencontros. É o açúcar quem ganha protagonismo. A [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<img loading="lazy" decoding="async" width="2560" height="1440" src="https://www.grada.es/wp-content/uploads/2026/01/50_207_secciones_afronteira-scaled.jpg" class="attachment-full size-full wp-post-image" alt="Do prato à reserva: o que acontece aos açúcares depois das festas?" style="float:right; margin:0 0 10px 10px;" srcset="https://www.grada.es/wp-content/uploads/2026/01/50_207_secciones_afronteira-scaled.jpg 2560w, https://www.grada.es/wp-content/uploads/2026/01/50_207_secciones_afronteira-300x169.jpg 300w, https://www.grada.es/wp-content/uploads/2026/01/50_207_secciones_afronteira-1024x576.jpg 1024w, https://www.grada.es/wp-content/uploads/2026/01/50_207_secciones_afronteira-768x432.jpg 768w, https://www.grada.es/wp-content/uploads/2026/01/50_207_secciones_afronteira-1536x864.jpg 1536w, https://www.grada.es/wp-content/uploads/2026/01/50_207_secciones_afronteira-2048x1152.jpg 2048w, https://www.grada.es/wp-content/uploads/2026/01/50_207_secciones_afronteira-600x338.jpg 600w" sizes="(max-width: 2560px) 100vw, 2560px" /><p>O Natal e a Passagem de Ano são, para muitos de nós, um tempo de suspensão das rotinas, suspendem-se horários e, quase sempre, suspendem-se também algumas regras alimentares. À mesa, multiplicam-se os doces, as sobremesas tradicionais, os chocolates e as bebidas alcoólicas geralmente acompanham conversas longas e reencontros. É o açúcar quem ganha protagonismo. A pergunta que importa fazer não é se devemos ou não consumi-lo nestas épocas, mas antes: o que faz o nosso corpo com esse excesso e o que acontece depois da festa acabar?</p>
<p>Quando ingerimos alimentos ricos em açúcares simples, estes são rapidamente absorvidos e entram na corrente sanguínea sob a forma de glicose. O organismo responde de imediato, libertando insulina, uma hormona essencial para permitir que essa glicose entre nas células e seja utilizada como fonte energética. Em condições normais, esta energia serve para alimentar as funções vitais, o movimento, o pensamento e até o simples facto de estarmos acordados.</p>
<p>Numa fase inicial, o corpo tenta ser eficiente. Parte dessa glicose é armazenada sob a forma de glicogénio, uma espécie de ‘reserva rápida’ que existe sobretudo no fígado e nos músculos. O glicogénio muscular é utilizado quando nos mexemos, caminhamos, treinamos ou realizamos qualquer tarefa fisicamente exigente. O glicogénio hepático ajuda a manter os níveis de açúcar no sangue estáveis entre refeições ou durante o sono.</p>
<p>O problema é que estas reservas têm um limite. Não são infinitas. Durante as épocas festivas, esse limite é rapidamente atingido. Com várias refeições ricas em hidratos de carbono, sobremesas sucessivas e, muitas vezes, menos atividade física, o organismo vê-se confrontado com uma abundância energética que não consegue ‘guardar’ apenas sob a forma de glicogénio. É aqui que entra o mecanismo que tantas vezes é visto como inimigo: o armazenamento de gordura.</p>
<p>Quando o açúcar ingerido não é gasto nem pode ser armazenado como glicogénio, o corpo converte esse excesso em gordura, não por falha metabólica, mas por sobrevivência. O tecido adiposo é, do ponto de vista evolutivo, uma reserva estratégica. O problema surge quando essa estratégia deixa de ser pontual e passa a ser repetida ano após ano, festa após festa, sem um período de compensação.</p>
<p>Alguns tipos de açúcar, como a frutose, muito presente em doces, refrigerantes e sobremesas industriais, merecem especial atenção. A frutose é metabolizada quase exclusivamente no fígado e, em excesso, favorece a produção de gordura hepática. Não provoca picos de glicemia tão evidentes como a glicose, mas isso não a torna inofensiva. Pelo contrário, o seu consumo elevado e regular associa-se a maior acumulação de gordura visceral, aquela que rodeia os órgãos, geralmente situa-se ao nível do abdómen e está ligada a um maior risco metabólico.</p>
<p>Chegados ao fim das festas, surge muitas vezes a ideia de “compensar os excessos”. Do ponto de vista fisiológico, esta noção até faz algum sentido, desde que seja encarada de forma realista e sustentável. O período pós-Natal e pós-Ano Novo pode ser uma oportunidade para o corpo utilizar parte dessas reservas acumuladas. A retoma da atividade física, seja através de caminhadas, treino de força, aulas de grupo ou simplesmente mais movimento no dia a dia, aumenta o consumo de glicogénio e melhora a sensibilidade à insulina.</p>
<p>O exercício físico funciona, assim, como um verdadeiro ‘consumidor metabólico’ dos excessos festivos. Não apaga o passado, mas reequilibra o presente. O problema é quando este momento nunca chega. Quando o regresso à rotina mantém padrões alimentares desequilibrados e os níveis de atividade física baixos, o corpo interpreta a abundância como norma. A gordura acumulada deixa de ser transitória e passa a ser estrutural. Importa sublinhar que esta reflexão não deve ser feita em tom de culpa.</p>
<p>Comer também é cultura, afeto, memória e pertença. O erro não está no Natal, nem na mesa partilhada, mas na ausência de consciência ao longo do resto do ano. O corpo humano é extraordinariamente adaptável, mas precisa de estímulos para gastar aquilo que recebe.</p>
<p>Talvez o maior desafio não seja ‘queimar’ os açúcares das festas, mas repensar a relação com o movimento e com a alimentação nos dias que se seguem. O equilíbrio não se constrói numa semana, mas também não se perde num jantar. O corpo regista tudo, mas também responde quando é chamado a agir. No fim de contas, os açúcares das épocas festivas podem ser combustível ou podem tornar-se reserva. A diferença está menos no que acontece entre o Natal e o Ano Novo e mais no que fazemos entre o Ano Novo e o próximo Natal.</p>
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		<title>O custo da inatividade física para os sistemas de saúde</title>
		<link>https://www.grada.es/o-custo-da-inatividade-fisica-para-os-sistemas-de-saude/blogueros/jose-parraca/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[José Parraça]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 15 Dec 2025 03:11:48 +0000</pubDate>
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		<category><![CDATA[José Parraça]]></category>
		<category><![CDATA[cancro]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>A inatividade física é reconhecida como um dos principais fatores de risco modificáveis para diversas doenças não transmissíveis (DNT), incluindo doenças cardiovasculares, diabetes tipo 2, vários tipos de cancro, hipertensão arterial, demência e depressão. Apesar do amplo conhecimento científico sobre os benefícios da atividade física, os níveis globais de sedentarismo permanecem praticamente estagnados há mais [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<img loading="lazy" decoding="async" width="2560" height="1097" src="https://www.grada.es/wp-content/uploads/2025/12/50_206_secciones_afronteira-scaled.jpg" class="attachment-full size-full wp-post-image" alt="O custo da inatividade física para os sistemas de saúde" style="float:right; margin:0 0 10px 10px;" srcset="https://www.grada.es/wp-content/uploads/2025/12/50_206_secciones_afronteira-scaled.jpg 2560w, https://www.grada.es/wp-content/uploads/2025/12/50_206_secciones_afronteira-300x129.jpg 300w, https://www.grada.es/wp-content/uploads/2025/12/50_206_secciones_afronteira-1024x439.jpg 1024w, https://www.grada.es/wp-content/uploads/2025/12/50_206_secciones_afronteira-768x329.jpg 768w, https://www.grada.es/wp-content/uploads/2025/12/50_206_secciones_afronteira-1536x658.jpg 1536w, https://www.grada.es/wp-content/uploads/2025/12/50_206_secciones_afronteira-2048x878.jpg 2048w, https://www.grada.es/wp-content/uploads/2025/12/50_206_secciones_afronteira-600x257.jpg 600w" sizes="(max-width: 2560px) 100vw, 2560px" /><p>A inatividade física é reconhecida como um dos principais fatores de risco modificáveis para diversas doenças não transmissíveis (DNT), incluindo doenças cardiovasculares, diabetes tipo 2, vários tipos de cancro, hipertensão arterial, demência e depressão. Apesar do amplo conhecimento científico sobre os benefícios da atividade física, os níveis globais de sedentarismo permanecem praticamente estagnados há mais de uma década.</p>
<p>Segundo as estimativas apresentadas, caso a prevalência de inatividade física se mantenha, ocorrerão cerca de 500 milhões de novos casos preveníeis de DNT e condições de saúde mental alteradas entre 2020 e 2030. Destes, quase 47% corresponderão à hipertensão (aprox. 234,6 milhões de casos) e 43% à depressão e ansiedade (215,7 milhões). Diabetes tipo 2 representará 2% dos novos casos preveníeis, enquanto vários tipos de cancro e demência representarão percentagens menores de incidência, mas não necessariamente de custos.</p>
<p>A distribuição global destes novos casos é profundamente desigual. Cerca de 74% ocorrerão em países de baixo e médio rendimento, especialmente nas regiões do Pacífico Ocidental e do Sudeste Asiático, que acumularão juntas quase metade dos casos globais. No entanto, paradoxalmente, os países de alto rendimento suportarão 63% dos custos económicos totais. Esta discrepância deve-se essencialmente ao maior custo dos cuidados de saúde nos países desenvolvidos e à maior cobertura e acesso aos sistemas de saúde.</p>
<p>Em termos económicos, estima-se que a inatividade física acarretará um custo direto global de cerca de US$ 301,8 mil milhões (270 mil milhões de €) ao longo de 11 anos. Trata-se de um aumento superior a 50% relativamente ao último estudo global, consequência da inclusão de novos desfechos clínicos e da atualização dos custos de saúde. Embora a demência represente apenas 3% dos novos casos preveníeis, será responsável por 22% dos custos totais devido ao elevado custo de diagnóstico, tratamento e cuidados continuados. Os cancros representam 1% dos casos, mas 15% dos custos; a diabetes tipo 2, 2% dos casos, mas 9% dos custos. Esta assimetria reforça a importância de considerar não apenas a prevalência das doenças, mas também o seu peso económico quando se discutem políticas de prevenção.</p>
<p>Do ponto de vista metodológico, há estudos que se baseiam no cálculo de population attributable fractions (PAF), utilizando riscos relativos atualizados a partir de meta-análises recentes e prevalências de inatividade física por país e sexo com incidência anual de doenças obtidas de bases de dados internacionais, onde projetam o impacto até 2030 considerando o crescimento populacional.</p>
<p>Para estimar os custos, alguns autores recorrem a diferentes fontes, tais como bases dados da OMS para cancros, International Diabetes Federation para a diabetes, relatórios de custos para demência e extrapolações baseadas nos custos médios de países da União Europeia para doenças cardiovasculares, depressão e hipertensão, ajustados através de fatores de ponderação por despesa em saúde. Embora haja limitações importantes nestas estimativas, particularmente a ausência de dados específicos de custos para muitos países de baixo e médio rendimento, o que obriga à utilização de extrapolações. Os números apresentados representam apenas os custos diretos iniciais (geralmente o primeiro ano de tratamento), não incorporando custos acumulados, incapacidades, mortalidade ou perdas de produtividade, o que significa que os valores reais da carga económica da inatividade física são provavelmente muito superiores.</p>
<p>Apesar da existência do WHO-Global Action Plan on Physical Activity 2018-2030, que recomenda intervenções baseadas em evidência para promover a atividade física, a implementação tem sido lenta e desigual entre os países. Existe então uma necessidade urgente de uma abordagem multissectorial e de reforço das políticas públicas, envolvendo planeamentos urbanos, transportes, educação, desporto, saúde e comunicação social. Investimentos em sistemas que promovam ambientes ativos, mobilidade suave, programas comunitários e campanhas de comunicação têm sido comprovados como custo-efetivos e essenciais para atingir as metas dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) estabelecidos, especialmente a redução da mortalidade por DNT até 2030.</p>
<p>Conclui então que a falta de ações politicas perante a inatividade física terá efeitos devastadores para a saúde global e para os sistemas de saúde mundiais, representando um peso económico insustentável. Assim sendo considera-se que os argumentos apresentados devem fazer com que os decisores políticos priorizarem investimentos em estratégias de promoção da atividade física, com benefícios claros para a saúde pública, finanças públicas e bem-estar social.</p>
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		<title>Inteligência artificial e promoção de estilos de vida ativos</title>
		<link>https://www.grada.es/inteligencia-artificial-e-promocao-de-estilos-de-vida-ativos/blogueros/jose-parraca/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[José Parraça]]></dc:creator>
		<pubDate>Sat, 15 Nov 2025 03:11:03 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Colaboradores]]></category>
		<category><![CDATA[José Parraça]]></category>
		<category><![CDATA[estilo de vida ativo]]></category>
		<category><![CDATA[inatividade física]]></category>
		<category><![CDATA[inteligencia artificial]]></category>
		<category><![CDATA[saúde comunitária]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>A inatividade física é atualmente um dos maiores desafios da saúde pública global. De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), um em cada quatro adultos não pratica atividade física suficiente, o que representa aproximadamente 1,4 mil milhões de pessoas em todo o mundo. Este fenómeno está diretamente associado ao aumento de doenças crónicas [&#8230;]</p>
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<p>É neste contexto que a inteligência artificial se destaca como uma ferramenta poderosa e transformadora. A inteligência artificial refere-se à capacidade de sistemas computacionais aprenderem autonomamente com dados, reconhecerem padrões complexos e tomarem decisões informadas. As suas principais áreas de aplicação incluem o machine learning, o processamento de linguagem natural e a visão computacional. Estas tecnologias permitem que os sistemas analisem informação em larga escala, compreendam linguagem humana e interpretem imagens ou movimentos, tornando-se particularmente úteis para o acompanhamento e promoção da saúde individual e coletiva.</p>
<p>Na saúde comunitária, a inteligência artificial representa uma revolução. Para além de acelerar diagnósticos e personalizar tratamentos, reduz custos operacionais e permite prever riscos antes que estes se manifestem clinicamente. O foco deixa de ser apenas a medicina reativa, centrada no tratamento da doença, e passa a ser uma medicina preventiva e proativa, que procura manter as pessoas saudáveis. A inteligência artificial tem um papel decisivo na promoção de estilos de vida ativos através de monitorização contínua, feedback em tempo real e personalização das recomendações.</p>
<p>Os dispositivos vestíveis, como relógios inteligentes e sensores corporais, recolhem continuamente dados sobre movimento, frequência cardíaca, sono, stress e gasto energético. Esses dados são processados por algoritmos de inteligência artificial que identificam padrões, detetam anomalias e ajustam automaticamente as recomendações. Assim, o utilizador passa a receber sugestões personalizadas para melhorar o seu comportamento físico e o seu bem-estar geral. Trata-se de uma nova forma de intervenção: mais precisa, imediata e adaptada à realidade de cada indivíduo.</p>
<p>A personalização é um dos grandes trunfos da inteligência artificial. Os programas de treino adaptam-se continuamente ao desempenho real, ao nível de energia e à recuperação do utilizador. Caso o sistema detete sinais de fadiga, reduz a intensidade do treino; se, pelo contrário, o utilizador mostrar progressos rápidos, o sistema aumenta o desafio. Além disso, os ‘chatbots’ inteligentes fornecem apoio emocional e motivacional, reconhecendo o estado de espírito do utilizador e oferecendo mensagens de encorajamento no momento certo. O recurso à gamificação com recompensas, desafios e metas personalizadas aumenta a adesão e o envolvimento, tornando a prática regular de exercício mais apelativa e sustentável.</p>
<p>Ao nível comunitário, o potencial da inteligência artificial é igualmente notável. Os algoritmos podem analisar dados demográficos e comportamentais para identificar grupos em risco, áreas prioritárias e fatores de vulnerabilidade. Essa análise permite criar políticas locais mais eficazes, desenhar espaços urbanos promotores de atividade física e desenvolver programas municipais inteligentes com monitorização contínua de impacto. Este ecossistema integrado potencia a colaboração entre profissionais de saúde, técnicos de desporto, urbanistas e decisores políticos, todos a trabalhar com base nas mesmas evidências geradas por inteligência artificial.</p>
<p>Os benefícios esperados são significativos: estudos apontam para um aumento de até 45% na adesão à atividade física quando as intervenções são personalizadas e mediadas por inteligência artificial, uma redução de cerca de 60% nos custos de saúde e uma efetividade até três vezes superior às abordagens tradicionais. Além disso, há um ganho importante na literacia em saúde, os cidadãos tornam-se mais conscientes do seu corpo e comportamento, assumindo maior responsabilidade pela própria saúde.</p>
<p>Contudo, esta transformação traz também desafios éticos e sociais que devem ser cuidadosamente considerados. A privacidade e segurança dos dados de saúde são preocupações centrais, exigindo encriptação rigorosa, consentimento informado e total transparência no uso da informação. O viés algorítmico é outro risco real: sistemas treinados com dados não representativos podem reforçar desigualdades de género, raça ou condição socioeconómica. Da mesma forma, a exclusão digital é um perigo pois, nem todos têm acesso à tecnologia ou literacia digital necessária, pelo que a inclusão deve ser um princípio orientador em todas as fases do processo.</p>
<p>Além disso, a inteligência artificial deve complementar, e não substituir, o contacto humano. Os profissionais de saúde continuam a ser insubstituíveis na empatia, no julgamento clínico e no apoio emocional. A tecnologia deve libertar tempo para reforçar a relação humana no cuidado e não reduzi-la a interações automáticas.</p>
<p>Casos recentes ilustram os riscos de uma utilização irresponsável da inteligência artificial, como chatbots que forneceram recomendações médicas erradas ou que influenciaram negativamente utilizadores vulneráveis. Estes episódios sublinham a necessidade de regulamentação robusta, como o ‘AI Act’ (Regulamento Europeu 2024/1689), que define padrões éticos, de transparência e de segurança para a utilização da inteligência artificial na União Europeia.</p>
<p>O futuro da saúde comunitária será, inevitavelmente, moldado pela colaboração entre a inteligência humana e a artificial. Médicos, investigadores, engenheiros e decisores devem trabalhar em conjunto para aproveitar o potencial da inteligência artificial, garantindo que a inovação tecnológica se traduz em benefícios reais para as pessoas.</p>
<p>A inteligência artificial não substituirá o médico ou o professor, mas amplificará as suas capacidades. Permitirá diagnósticos mais precisos, cuidados mais acessíveis e uma medicina mais humana, porque, paradoxalmente, quanto mais tecnológica a saúde se torna, mais essencial se torna a empatia. O futuro é uma parceria entre a intuição humana e a precisão computacional, construindo sistemas de saúde mais eficazes, inclusivos e sustentáveis.</p>
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