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‘Mestre João Vidraceiro’ na Sé de Évora, em 1501. Grada 157. Francisco Bilou

‘Mestre João Vidraceiro’ na Sé de Évora, em 1501. Grada 157. Francisco Bilou
Foto: Cedida
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Vários sinais fazem de 1501 um ano importante para a história de Évora. Em certo sentido, talvez este seja o ano inicial do ‘século de ouro’ da cidade.

É verdade que D. João II, com a sua demorada presença cortesã na capital alentejana, já antes lhe anuncia o estatuto e o prestígio condizentes com um dos principais centros urbanos do país.

Mas é o seu sucessor, o rei D. Manuel I (1469-1521) que torna a cidade, objetivamente, a ‘segunda do reino’. Fá-lo, por exemplo, assinando o segundo foral da longa série da ‘Leitura Nova’, o que é, do ponto de vista político-administrativo, um marco significativo.

Fá-lo, ao mandar acabar a gigantesca obra do ‘corpo do mosteiro’ de São Francisco, revelando, aliás, particular denodo com todos os aspetos construtivos e ornamentais da empreitada até à sua conclusão, em 1514.

Fá-lo, enfim, ao autorizar que o seu mestre vidraceiro se desloque do mosteiro da Batalha à Sé de Évora para fazer “certa obra de vidros”, a qual só pode coincidir, no tempo e no espaço, com a montagem do notável retábulo flamengo da Vida da Virgem.

Nesta vinda a Évora do mestre vitralista da Batalha “por mandado do bispo da dita cidade pera acabar çertas obras de vidros que para a dita see lhe fazia”, por razões não apuradas, Mestre João é denunciado e julgado por pôr a sua boca na imagem “de nossa Senhora a Virgem maria” (ANTT, Chancelaria de D. Manuel I, Liv. 46, fls. 91-91vº).

Na singeleza da notícia não fica claro de qual imagem mariana se trata; se a imagem de vulto gótica (hoje na capela do Fundador, sita no claustro da Sé), se já a imagem central da Virgem da Glória do próprio retábulo flamengo que então se compunha na parede fundeira da capela-mor.

Contudo, atendendo ao primor da execução pictórica e, em particular, à novidade imagética, não se estranharia que esta afronta a uma imagem sagrada, sentida com especial melindre pela conezia catedralícia, se reporte ao retábulo, afinal peça acabada de montar e vivida decerto com o mais grave fervor religioso.

Pese embora este facto, o certo é que o prestígio do mestre vitralista acabou por lhe valer a comutação da pena de prisão por parte de D. Manuel, contanto que o mestre pagasse 2.000 réis para a Piedade.

A obra produzida em Évora pelo Mestre João ‘vidraceiro’ no verão de 1501 (e atenda-se a esta particularidade da época do ano), não pode, pois, ser dissociada da montagem do retábulo flamengo, encomendado a Flandres pelo Bispo D. Afonso de Portugal pouco tempo antes (após 1495), possivelmente às oficinas de Bruges, onde então pontuava como principal mestre, Gerard David (1460-1523).

Até porque se sabe que o vasto retábulo (c. de 35 m2) estava enquadrado por vitrais, destruídos durante uma tempestade em 1585, provavelmente os mesmos que fez Mestre João.

Por outro lado, a luz usada na pintura do retábulo sugere uma fonte natural alta, incidindo da esquerda do observador para a direita, solução lumínica que não só indicia a presença de uma fonte de luz colateral como reforça, pela mesma razão, a filiação da conhecida predela dos passos da Paixão de Cristo, de resto à imagem do coetâneo retábulo de Nossa Senhora da Assunção de Trujillo, ainda íntegro, fonte visual que ajudou à montagem do retábulo eborense, dito genericamente ‘Político da Sé de Évora’, hoje no Museu desta cidade.

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