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O custo da inatividade física para os sistemas de saúde

O custo da inatividade física para os sistemas de saúde
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A inatividade física é reconhecida como um dos principais fatores de risco modificáveis para diversas doenças não transmissíveis (DNT), incluindo doenças cardiovasculares, diabetes tipo 2, vários tipos de cancro, hipertensão arterial, demência e depressão. Apesar do amplo conhecimento científico sobre os benefícios da atividade física, os níveis globais de sedentarismo permanecem praticamente estagnados há mais de uma década.

Segundo as estimativas apresentadas, caso a prevalência de inatividade física se mantenha, ocorrerão cerca de 500 milhões de novos casos preveníeis de DNT e condições de saúde mental alteradas entre 2020 e 2030. Destes, quase 47% corresponderão à hipertensão (aprox. 234,6 milhões de casos) e 43% à depressão e ansiedade (215,7 milhões). Diabetes tipo 2 representará 2% dos novos casos preveníeis, enquanto vários tipos de cancro e demência representarão percentagens menores de incidência, mas não necessariamente de custos.

A distribuição global destes novos casos é profundamente desigual. Cerca de 74% ocorrerão em países de baixo e médio rendimento, especialmente nas regiões do Pacífico Ocidental e do Sudeste Asiático, que acumularão juntas quase metade dos casos globais. No entanto, paradoxalmente, os países de alto rendimento suportarão 63% dos custos económicos totais. Esta discrepância deve-se essencialmente ao maior custo dos cuidados de saúde nos países desenvolvidos e à maior cobertura e acesso aos sistemas de saúde.

Em termos económicos, estima-se que a inatividade física acarretará um custo direto global de cerca de US$ 301,8 mil milhões (270 mil milhões de €) ao longo de 11 anos. Trata-se de um aumento superior a 50% relativamente ao último estudo global, consequência da inclusão de novos desfechos clínicos e da atualização dos custos de saúde. Embora a demência represente apenas 3% dos novos casos preveníeis, será responsável por 22% dos custos totais devido ao elevado custo de diagnóstico, tratamento e cuidados continuados. Os cancros representam 1% dos casos, mas 15% dos custos; a diabetes tipo 2, 2% dos casos, mas 9% dos custos. Esta assimetria reforça a importância de considerar não apenas a prevalência das doenças, mas também o seu peso económico quando se discutem políticas de prevenção.

Do ponto de vista metodológico, há estudos que se baseiam no cálculo de population attributable fractions (PAF), utilizando riscos relativos atualizados a partir de meta-análises recentes e prevalências de inatividade física por país e sexo com incidência anual de doenças obtidas de bases de dados internacionais, onde projetam o impacto até 2030 considerando o crescimento populacional.

Para estimar os custos, alguns autores recorrem a diferentes fontes, tais como bases dados da OMS para cancros, International Diabetes Federation para a diabetes, relatórios de custos para demência e extrapolações baseadas nos custos médios de países da União Europeia para doenças cardiovasculares, depressão e hipertensão, ajustados através de fatores de ponderação por despesa em saúde. Embora haja limitações importantes nestas estimativas, particularmente a ausência de dados específicos de custos para muitos países de baixo e médio rendimento, o que obriga à utilização de extrapolações. Os números apresentados representam apenas os custos diretos iniciais (geralmente o primeiro ano de tratamento), não incorporando custos acumulados, incapacidades, mortalidade ou perdas de produtividade, o que significa que os valores reais da carga económica da inatividade física são provavelmente muito superiores.

Apesar da existência do WHO-Global Action Plan on Physical Activity 2018-2030, que recomenda intervenções baseadas em evidência para promover a atividade física, a implementação tem sido lenta e desigual entre os países. Existe então uma necessidade urgente de uma abordagem multissectorial e de reforço das políticas públicas, envolvendo planeamentos urbanos, transportes, educação, desporto, saúde e comunicação social. Investimentos em sistemas que promovam ambientes ativos, mobilidade suave, programas comunitários e campanhas de comunicação têm sido comprovados como custo-efetivos e essenciais para atingir as metas dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) estabelecidos, especialmente a redução da mortalidade por DNT até 2030.

Conclui então que a falta de ações politicas perante a inatividade física terá efeitos devastadores para a saúde global e para os sistemas de saúde mundiais, representando um peso económico insustentável. Assim sendo considera-se que os argumentos apresentados devem fazer com que os decisores políticos priorizarem investimentos em estratégias de promoção da atividade física, com benefícios claros para a saúde pública, finanças públicas e bem-estar social.

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