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Passagem da Princesa D. Maria de Portugal por Elvas em 1543. Grada 137. Francisco Bilou

Passagem da Princesa D. Maria de Portugal por Elvas em 1543. Grada 137. A fronteira
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É ainda pouco conhecido entre nós o ‘Diário da Jornada da Infanta D. Maria Princesa das Astúrias’, malgrado a sua primeira publicação datar de 1744, por mão de D. António Caetano de Sousa (‘Provas da História Genealógica da Casa Real Portuguesa’, Vol. III, pp. 113-121) e o saudoso Túlio Espanca a reeditar integralmente no número 48-50 do seu Boletim de Cultura ‘A Cidade de Évora’, em 1965-67, às pp. 197-208. É desta última publicação que respigamos esta passagem referente a Elvas.

Recorde-se que D. Maria (1527-1545), filha do Rei D. João III e Dona Catarina de Áustria, foi a casar com o herdeiro da coroa espanhola, D. Filipe (1527-1598), futuro rei (também de Portugal após 1581), cerimónia ocorrida em Valhadolid a 14 de novembro de 1543. De resto matrimónio pouco feliz, poi D. Maria morreu passado pouco tempo (1545) na sequência do parto, contando apenas com 17 anos de idade.

Após a comitiva sair de Lisboa e passar sucessivamente por Montemor-o-Novo, Évora e Estremoz, a uma sexta-feira, dia 19 de outubro de 1543, a Princesa partiu de Estremoz em direção a Elvas. Vale bem a pena seguir a descrição da viagem feita por um cronista anónimo que acompanhou a comitiva:

“Tem a Cidade (de Elvas) ha emtrada huã aguoa que lhe agora vem que se chama a aguoa da morejra e vem de mais de mea leguoa da dita Cidade e ja aguora estaa perto com hum tamque feito omde caem tres bicas daguoa (…) e tem muitos arcos feitos e outros começados para chegar demtro dos muros. Jumto do dito tamque estava huã damça de homens todos de couras mo(u)radas e o tamborjleiro com hum gabão e calções de branco e verde. Sajram quatro damças de moças muito fermosas muito be? vestidas o milhor que se pode dizer e huã damça d’espadas e outra (de) meninas como ciganas muito ricamente vestidas e as trunfas todas comcertadas de muitas cadeas douro e manilhas e as mantilhas de seda e nenhuã dellas chegava a dez anos. E asy vieram todas estas festas diamte da dita Senhora ate a praça da dita Cidade e ouve grandes luminarias nas torres della a noite da dita sesta feira.

Emtrou a Primceza pela porta da dita Cidade que chamam a porta d’evora omde esta hum, poço de muito boa aguoa domde aguora bebem por ajmda a outra naõ chegar e o poço se chama o poço de Çamçam. E a porta estava emramada e de pobres panos ha genela. Na praça da dita Cidade estavam mais ricos panos ate as casas de bastião de Sousa omde a dita Senhora pousou.

Na dita sesta feira que a Primceza emtrou na dita Cidade vieram muitos castelhanos rebuçados ao caminho a vela e asy os Senhores e gemte que trazia(m). E o primeiro de que se podesse be? (ver) (lh)e deram soma d’apupadas e torroadas e se foi a unha de cavalo acolhemdo(-se) pelo olivais d’elvas era o cavalharijo do Duque de medina o qual vinha em hum cavalo ruço muito magro e trazia hum sombreiro tam grande em estremo que parecia destes esparaves que vem da Imdia para tolherem (o) Sol” (continua).

Espanca, Túlio. ‘Viagem da Princesa D. Maria de Portugal em 1543, pela Província do Alentejo’. ‘A Cidade de Évora’, N. 48-50, 1965-67, p. 204).

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